FTSE 100 oscila com petróleo disparando acima de US$ 100 em meio a conflito no Oriente Médio e turbulência política
Foi aquela segunda-feira em que a gente precisa de um café bem forte só para acompanhar o vaivém das cotações. O FTSE 100 apresentou um desempenho surpreendentemente resiliente, fechando em alta de 0,2%, aos 10.386,23 pontos, depois de passar boa parte do pregão no vermelho. Mas chamar isso de dia tranquilo seria um exagero. Estamos vendo um clássico "dois mercados em um" agora, impulsionados por uma combinação explosiva de geopolítica e drama político doméstico.
A grande notícia, claro, é o petróleo. O Brent rompeu a barreira dos US$ 100, chegando a US$ 108 o barril no início dos negócios e registrando a maior alta diária em anos. O motivo? O caos tomou conta do Oriente Médio. Os ataques de EUA e Israel ao Irã, a subsequente nomeação do Aiatolá Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz para o tráfego de petroleiros assustaram o mercado como não se via desde a invasão da Ucrânia. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa por aquele estreito. Quando essa torneira é fechada, o mundo inteiro sente o aperto.
Para o Índice FTSE 100, esse choque energético é uma faca de dois gumes. Por um lado, nossas gigantes do petróleo estão nadando de braçada. BP e Shell fecharam firmemente no azul, surfando a onda da disparada do petróleo. A história se repete com as mineradoras, com Fresnillo e Endeavour brilhando enquanto investidores correm para o ouro e a prata como portos seguros. São basicamente esses pesos-pesados que seguraram o índice no azul.
Do outro lado, é um banho de sangue para os setores que precisam pagar por todo esse combustível. Ações de companhias aéreas e turismo estão sendo duramente castigadas. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que a IAG, dona da British Airways, e a fabricante de motores Rolls-Royce vão ter um voo turbulento com o custo do querosene disparando. Bancos como Barclays e NatWest também estão sob pressão, este último caindo 9% após anunciar um acordo de £ 2,7 bilhões para comprar a gestora de patrimônio Evelyn Partners. É um clássico movimento de fuga ao risco.
Um prêmio de risco político
Como se o incêndio no Golfo não bastasse, temos nosso próprio drama doméstico se desenrolando em Westminster. A pressão sobre o Primeiro-Ministro está aumentando. Anas Sarwar pediu a renúncia de Keir Starmer devido ao imbróglio envolvendo Peter Mandelson, e com seu diretor de comunicação e chefe de gabinete ambos de saída, o cheiro de instabilidade está de volta ao ar.
Um trader veterano da City resumiu para mim esta manhã: um "prêmio de risco político" está sendo novamente incorporado aos preços dos ativos britânicos. O mercado odeia incerteza, e com os sussurros sobre a liderança e o inevitável impacto econômico de uma guerra prolongada, o FTSE 100 tem muito o que digerir. A libra também está sentindo o calor, caindo frente ao dólar, enquanto os traders precificam o caos.
As perspectivas imediatas parecem binárias. Tudo depende de quanto tempo esse conflito vai se arrastar. Como observou um estrategista, com o Irã nomeando um novo líder linha-dura, não parece que eles vão piscar primeiro. Isso significa que podemos estar diante de preços elevados do petróleo por semanas, senão meses.
- Os vencedores: Gigantes da energia (BP, Shell), mineradoras de metais preciosos (Fresnillo), contratantes de defesa (BAE Systems).
- Os perdedores: Cias aéreas (IAG, easyJet), bancos (Barclays, NatWest), ações ligadas ao consumo vulneráveis ao aperto no custo de vida.
Já vimos esse filme antes. O FTSE 100 vinha numa sequência de recordes, rompendo os 10.800 pontos há apenas algumas semanas e registrando seu melhor começo de ano em décadas. Esse momentum foi brutalmente interrompido. Para o cidadão comum enchendo o tanque do carro esta manhã, o salto do petróleo não é apenas um número na tela — é mais um custo de £ 500 no orçamento familiar, de acordo com fontes bem informadas. O Primeiro-Ministro diz que apoiar a classe trabalhadora está "sempre em primeiro lugar na minha mente", mas com as mãos do governo aparentemente atadas, a primavera promete ser longa e cara.