Embate da Reforma do Imposto sobre Ganhos de Capital: Será que o Trabalhismo vai Reduzir o Desconto para Resolver a Crise Habitacional?

Você sabe que um debate chegou ao nível máximo quando ambos os lados da política usam frases como "guerra contra a ambição" e "luta de classes" na mesma sentença. Pegando emprestada uma expressão do futebol, o relatório final da comissão parlamentar de inquérito sobre o desconto no imposto sobre ganhos de capital caiu no colo do Tesoureiro, e é uma batata quente. Para qualquer pessoa com menos de 40 anos que observa o mercado imobiliário com uma mistura de desespero e incredulidade, este é o jogo principal.
A Grande Inclinação para o Mercado Imobiliário
Vamos deixar de lado o jogo de cena. O inquérito, conduzido pelo senador dos Verdes Nick McKim, essencialmente confirmou o que a maioria de nós suspeitava ao ver os preços dos leilões dispararem. O desconto de 50% sobre ganhos de capital para ativos mantidos por mais de um ano — um legado da era Howard — fez exatamente o que foi projetado para fazer: canalizar dinheiro para investimentos. O problema é que isso se tornou uma mangueira de incêndio.
O relatório não tem meias palavras. Ele expõe que essa isenção fiscal, especialmente quando combinada com o desconto por prejuízo em imóveis alugados (negative gearing), distorceu todo o mercado imobiliário em favor dos investidores. Os pequenos investidores não são os vilões aqui, mas o sistema criou uma força gravitacional que tira dinheiro de negócios produtivos e o direciona para tijolos e argamassa já existentes. Para quem compra o primeiro imóvel, o campo não é nivelado; é como se eles fossem jogar uma final de campeonato profissional com um kit de futebol de várzea.
Nos corredores de Canberra, comenta-se que os números por trás do relatório são ainda mais feios do que o resumo público deixa transparecer. Os analistas do Tesouro têm processado números revisados, e fontes internas sussurram que o custo para o orçamento na próxima década é de fazer chorar — pense em vários projetos do porte da usina de Snowy Hydro, não é troco de pão. O mais irritante? A grande parte desse benefício vai para os mais ricos. Os jovens que são supereducados e trabalham em empregos na economia informal só para pagar o aluguel? Eles estão ficando com as migalhas.
- A Espiral da Desigualdade: Os benefícios são chocantemente concentrados no topo. Estamos falando dos australianos mais ricos ficando com a parte do leão de uma concessão fiscal que está sangrando os cofres públicos.
- Sangue Novo, Regras Velhas: A estatística que realmente incomoda, e que tem circulado nas reuniões do partido, é que quase nada desse benefício vai para pessoas com menos de 35 anos. Enquanto isso, esse mesmo grupo é mais qualificado e trabalha mais do que nunca, mas seu patrimônio está diminuindo.
- O Jogo da Avaliação: Claro, nada disso acontece sem alguma criatividade numérica. Quem já lidou com avaliações oficiais (statutory valuations) sabe que a linha entre um ganho de capital genuíno e um pouco de contabilidade criativa pode ficar turva. Quando o incentivo fiscal é tão generoso, o estímulo para deixar essa linha o mais difusa possível é enorme.
O Projeto de Spender e um Olhar para o Exterior
Claro, isso não está acontecendo no vácuo. Na semana passada, a deputada independente "teal" Allegra Spender entrou na briga com seu próprio livro branco, propondo reduzir o desconto para ajudar a financiar um enorme corte no imposto de renda para assalariados. O argumento dela é o que ressoa nos bares de Paddington a Port Melbourne: por que o dinheiro que você ganha vendendo um ativo é tributado de forma tão mais leve do que o dinheiro que você ganha suando no trabalho? Se você ganha cem mil em salário, o leão leva uma boa mordida. Se ganha através de ganhos de capital, você recebe um abraço apertado. É uma simples questão de justiça que qualquer guia de Política Tributária em Poucas Palavras teria dificuldade em justificar.
Veja como outros países lidam com isso, e você vê que a Austrália é uma exceção. Na maioria das economias desenvolvidas, a diferença entre o imposto sobre o trabalho e o imposto sobre o capital é menor. Eles perceberam que, quando você inclina a mesa demais para os investidores, acaba com uma sociedade onde os mais velhos ficam mais ricos com os ativos que os jovens estão tentando comprar. A pressão de órgãos internacionais como a OCDE tem sido consistente: reforme isso, ou veja a desigualdade entre gerações se tornar uma cicatriz permanente na economia.
A Corda Bamba do Tesoureiro
Então, o que Jim Chalmers faz? Ele tem andado na corda bamba sobre isso há meses. Por um lado, ele fala sobre justiça entre gerações e o desafio "definidor" da habitação. Por outro, o governo já sofreu uma derrota pesada antes por mexer no negative gearing, e o Primeiro-Ministro deixou claro que a casa da família é sagrada (sacrosanct). Ninguém na bancada do Partido Trabalhista quer acordar e ver cartazes de campanha eleitoral com a sua cara como o responsável por destruir o sonho da casa própria.
Mas o desconto do CGT? Esse ainda está em jogo. O Tesoureiro tem sido cuidadoso em não descartá-lo. A sabedoria convencional dentro do governo é que eles podem optar por um ajuste menor — talvez reduzindo o desconto para 25 ou 30 por cento, como já cogitaram antes, mas garantindo que seja válido apenas para investimentos futuros (grandfathered) para que os investimentos existentes não sejam afetados. É a jogada clássica de Canberra: faça algo, mas garanta que se aplique apenas a transações futuras, para minimizar a reação negativa.
A Coalizão, em seu relatório divergente, está reclamando. Eles mantêm o argumento do lado da oferta, insistindo que mexer nos incentivos fiscais vai sufocar a nova construção e empurrar os preços ainda mais para cima. "É um imposto sobre a ambição", é a frase que está sendo ensaiada nos escritórios da oposição. Eles vão lutar com unhas e dentes, enquadrando a questão como um ataque ao aposentado que se sustentava sozinho e ao batalhador que juntou dinheiro para um segundo imóvel.
O que Acontece Agora?
Com o orçamento chegando em maio, a pressão é imensa. Os livros sobre os fundamentos da tributação da renda federal podem dizer que um sistema tributário deve ser neutro e eficiente, mas a política nunca é tão organizada. Esta é uma briga clássica entre realidade econômica e cicatrizes políticas. Se o Partido Trabalhista acabar com o desconto, corre o risco de alienar uma grande parte do eleitorado que investiu em imóveis como sua única fonte de riqueza. Se não fizerem nada, a "geração sem nada" que é constantemente invocada nos discursos vai ficar muito mais barulhenta, e eles também votam.
Uma coisa é certa: as regras antigas do jogo estão sendo reescritas. Só não sabemos quem está segurando a caneta, ou se eles vão piscar primeiro.