Eric Swalwell Dispara na Corrida para Governador da Califórnia—Entenda por Que Isso é Importante
Vamos ser sinceros por um segundo. Se você me dissesse há seis meses que Eric Swalwell seria um dos principais concorrentes para substituir Gavin Newsom, eu teria caído na gargalhada. Todos nós lembramos da campanha presidencial de Eric Swalwell em 2020. Foi o equivalente político ao esquenta de cinco minutos de um comediante antes da atração principal—curto, esperançoso e, no fim das contas, esquecido quando chegamos em Iowa. Ele estava fora antes mesmo dos primeiros votos serem dados.
Mas isso não é 2020. É 2026, e o cenário mudou completamente. E como.
Acabei de voltar de Sacramento, e posso te dizer que o burburinho no centro de convenções era inegável. Pesquisa após pesquisa mostra agora Swalwell não apenas na disputa, mas disparando à frente da ex-favorita Katie Porter. Não estamos falando de um cara com 2% das intenções de voto. Estamos falando de uma verdadeira reinvenção política acontecendo em tempo real, e é uma aula master de como se manter relevante na política.
A Construção de um Lutador (e o Fator Schiff)
Como um candidato presidencial fracassado se torna um dos principais concorrentes para governador do estado mais populoso do país? Você migra de ser um "líder do futuro" para ser um lutador comprovado. Swalwell passou os anos entre sua candidatura presidencial e agora fazendo algo que o mantém na TV a cabo e nas manchetes: ele foi para cima de Donald Trump.
Isso não é só coisa de bastidores de Washington. Ele atuou como um dos gestores no segundo julgamento de impeachment após o 6 de janeiro. Ele construiu uma imagem de ser o cara que não tem medo de dar o primeiro soco. E essa imagem acaba de receber seu maior impulso com o apoio do senador Adam Schiff.
Em termos políticos, isso é o Bat-Sinal sendo projetado sobre a Califórnia. Schiff é, sem dúvida, o democrata mais proeminente no estado agora, e ele não ofereceu apenas um aceno educado. Ele se comprometeu de verdade, citando o trabalho conjunto no Comitê de Inteligência e o papel compartilhado como antagonistas do ex-presidente. Quando Schiff diz que Swalwell tem "a visão e a força para enfrentar os maiores desafios do nosso estado" e proteger a democracia de Trump, a base ouve isso. Isso confere uma seriedade que a campanha de Swalwell em 2020 não tinha.
Mais do que Apenas um Caçador de Trump: A Estratégia Local
É aqui que quem entende do jogo começa a prestar atenção. Uma campanha baseada unicamente em ser um guerreiro anti-Trump morre numa primária na Califórnia, onde os eleitores se importam com moradia, população de rua e custo de vida. Swalwell sabe disso porque ele é daqui. Ele é um garoto de Dublin, filho de um policial.
Seu discurso de campanha não é só sobre as brigas em Washington. Ele fala sobre seu tempo como promotor na Unidade de Crimes de Ódio do Condado de Alameda. Ele fala sobre estar no Conselho Municipal de Dublin e ajudar a transformar a "Scrublin" num dos melhores lugares para se viver na Bay Area. Ele estrutura sua campanha em torno de duas tarefas: proteger os californianos da interferência federal (ICE, etc.) e resolver a maldita crise de acessibilidade.
E, crucialmente, ele respaldou isso com políticas que agradam ao centro. Ele apoiou a Proposição 36 para combater o furto no varejo, um movimento que sinaliza aos eleitores que defendem a lei e a ordem e à Associação dos Chefes de Polícia da Califórnia (que o apoiou) que ele não é um defensor do desfinanciamento da polícia. Ele é um ex-promotor equilibrando-se em uma corda bamba bem específica.
A Rede do "Good Trouble": Livros e Irmandade
Para entender a profundidade de Swalwell, é preciso olhar para as companhias que ele mantém. Ele está profundamente inserido na memória institucional do 6 de janeiro. Ele escreveu o prefácio ou forneceu textos de orelha para livros cruciais que definem essa era:
- "Standing My Ground" (Minha Luta, Minha Posição): Esta é a autobiografia de Harry Dunn, o policial do Capitólio que se tornou um símbolo do ataque de 6 de janeiro. O texto de orelha de Swalwell no livro não é apenas um favor; é um vínculo. Ele chama a história de Dunn de "leitura obrigatória para quem se importa com o futuro da nossa nação". Essa conexão reforça sua própria credibilidade no assunto. Quando Swalwell fala em proteger a democracia, ele está ombro a ombro com os caras que estavam lutando fisicamente por ela no plenário.
- "Fix Injustice, Not Kids" (Corrija a Injustiça, Não as Crianças): Embora este seja, na verdade, escrito pela educadora Katy Swalwell (sem parentesco, presumo), o título por si só captura um alinhamento filosófico. É sobre mudança estrutural em vez de culpar os indivíduos. É um sinal inteligente e técnico para o pessoal da educação e da equidade de que ele pensa de forma sistêmica.
Estes não são meras notas de rodapé num currículo. São âncoras culturais e intelectuais que o diferenciam dos políticos profissionais de sempre.
A Questão da Ascensão
A conclusão para qualquer um que esteja observando esta corrida de uma perspectiva de mercado é: Swalwell é viável, e está arrecadando dinheiro de verdade. Ele fez seu anúncio de campanha num talk show noturno e arrecadou US$ 3 milhões em apenas seis semanas. Esse tipo de dinheiro, combinado com o apoio de Schiff e a disparada nas pesquisas, cria um impulso poderoso.
Ele também está forçando os outros candidatos a reagirem. Tom Steyer, o bilionário que também está em ascensão, está veiculando anúncios atacando Swalwell por faltar a votações na Câmara, justapondo isso com imagens dele jogando basquete durante o shutdown. O anúncio de ataque é a forma mais sincera de elogio na política. Se Steyer — que já despejou quase US$ 30 milhões de sua própria fortuna nisso — vê Swalwell como o cara a ser batido, o resto do mercado também deveria estar prestando atenção.
Seu escritório distrital e sua equipe estão claramente executando uma estratégia 360 graus: lutar contra Trump em Washington, abraçar os locais em Dublin e construir uma rede nacional de aliados do "good trouble". Quer vença ou perca em junho, Eric Swalwell conseguiu reconstruir sua imagem política de piada a potência. Isso não é apenas um retorno; é um modelo a ser seguido.