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Irã-EUA: A escalada anunciada – como Teerã está arrastando os países do Golfo para a guerra

Oriente Médio ✍️ Karim Khoury 🕒 2026-03-12 23:31 🔥 Visualizações: 2

Imagine que você está em um café em Sharm el-Sheikh ou Dubai, olhando para o mar. Há algumas semanas, a vista seria de petroleiros pacíficos e do azul cristalino do Golfo. E hoje? O Estreito de Ormuz se transformou num barril de pólvora, e todo mundo se pergunta onde vai cair o próximo drone iraniano. O conflito entre Irã e EUA atingiu um novo e perigosíssimo patamar. Enquanto o presidente Donald Trump declara, com toda a seriedade, que a guerra está praticamente ganha, os ânimos na região se exaltam – e os aliados de Washington ficaram a ver navios.

Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a escalada no Golfo

A "vitória" de Trump e a realidade no terreno

"Não há praticamente mais nada que se possa atacar", teria dito Trump, segundo informações de um serviço de inteligência dos EUA. Uma tese ousada, considerando que os próprios americanos admitem ter bombardeado mais de 5 mil alvos no Irã. É verdade que a infraestrutura militar de Teerã sofreu um duro golpe. O Aiatolá Ali Khamenei está morto, seu filho Mojtaba já foi nomeado sucessor e, supostamente ferido, está escondido em algum local secreto. Mas quem realmente acredita que um país como o Irã vai se render só porque os centros de comando visíveis estão em ruínas?

A resposta dos Guardas da Revolução ao alarde de vitória de Trump é uma só: "Somos nós que decidimos quando a guerra termina". E eles estão colocando isso em prática. Enquanto Washington cogita estratégias de saída, os Guardas já iniciaram a segunda fase. Uma fase que poderíamos chamar, sem medo de errar, de manual do conflito Irã-EUA para guerras assimétricas.

A frente "horizontal": todos pagam o preço

Aqui está o ponto crucial, que os quartéis-generais ocidentais aparentemente subestimaram. Teerã sabe que não pode derrotar os EUA no campo de batalha – qualquer criança lá sabe disso. Então, eles expandem o combate. Horizontalmente. Atacando os pontos fracos. Os especialistas chamam isso de "escalada horizontal". E está funcionando de forma assustadoramente eficaz. A embaixada dos EUA em Riad? Foi alvo de um drone. A base americana de Al-Udeid, no Catar? Atingida por um míssil balístico. O consulado em Dubai? Em chamas.

Não é o ataque desesperado de um regime agonizante, como Trump quer fazer crer. É uma estratégia anunciada. Ao atacar não só Israel, mas também, e deliberadamente, a infraestrutura dos países do Golfo, o Irã responsabiliza exatamente as nações de onde partiram os ataques americanos. A mensagem é cristalina: Querem nos atacar do seu território limpo e seguro? Então aguentem as consequências.

Aliados desamparados? A insatisfação cresce no Golfo

E é exatamente aqui que a aliança range os dentes. Nos bastidores, diplomatas da região relatam uma "subestimação fatal" por parte dos EUA da capacidade de reação iraniana. Em Riad, Abu Dhabi e Doha, tentou-se durante semanas dissuadir Trump de um ataque militar. Em vão. E agora? Agora, o fogo está em toda parte, e os sistemas de defesa aérea dos ricos emirados – que não são totalmente integrados – estão, lenta mas seguramente, ficando sem munição.

  • Arábia Saudita: Vê-se forçada a defender sua capital de ataques.
  • Emirados Árabes Unidos: Contabilizam os danos no consulado em Dubai.
  • Catar: Seus habitantes se perguntam se a enorme base americana é mais uma bênção ou uma maldição.
  • Bahrein: Já sofreu um ataque a uma usina de dessalinização vital.

Um diplomata de um país do Golfo resumiu a situação em conversa com um veículo da capital: "Se o Irã atacar todos os países do Golfo, ele perde os últimos canais de diálogo possíveis". O desespero é palpável. A sensação é de serem vítimas de uma escalada que nunca desejaram. A avaliação do conflito Irã-EUA sob a ótica dos locais é, portanto, devastadora – para ambos os lados.

A batalha invisível pela opinião pública mundial

Enquanto isso, um teatro absurdo se desenrola em Nova York. O Conselho de Segurança da ONU se reúne, e as posições estão cada vez mais rígidas. O embaixador iraniano acusa os EUA de crimes de guerra; seu colega americano invoca o Artigo 51 da Carta da ONU e o direito à legítima defesa. E, para completar, Melania Trump preside uma reunião do Conselho sobre os direitos das crianças – uma ironia histórica que o representante iraniano obviamente trata como "vergonhosa e hipócrita", enquanto, nos bastidores, se discute uma escola feminina que teria sido atingida nos ataques.

Tudo isso alimenta uma velha desconfiança no mundo árabe. Teme-se que Washington, após um sucesso simbólico, simplesmente desista e deixe a região no caos. "Tudo está destruído, o regime continua lá – e os americanos vão embora", receia um diplomata. Sauditas e emiradenses já começam a olhar para o Leste. China e Rússia não perdem a oportunidade no Conselho de Segurança de expor os EUA. Elas sentem o cheiro da chance de enfraquecer a influência americana na região de forma duradoura.

Qual é o próximo passo do conflito?

A verdade é: ninguém sabe como sair dessa enrascada. Trump está sob pressão interna por causa do aumento do preço da gasolina. Então, ele libera reservas estratégicas de petróleo e tenta minimizar a gravidade da guerra. Em Israel, o ministro da Defesa, Katz, defende uma "luta sem limites de tempo". E a liderança iraniana, comandada por uma nova liderança traumatizada e vingativa, aparentemente não tem interesse em desescalada. Pelo contrário: ameaça abertamente minar o Estreito de Ormuz e atacar a infraestrutura energética de toda a região. Um barril de petróleo a 200 dólares? Esse cenário já não é tão irrealista assim.

Para nós, observadores aqui na região, só nos resta uma coisa: esperar e respirar fundo. A situação está mais confusa e perigosa do que nunca. O que é certo é apenas isto: Quem ainda hoje acredita que esta guerra é um simples acerto de contas entre Washington e Teerã, não entendeu nada sobre como ler este conflito. É uma guerra que poderia servir como um guia de como usar o conflito Irã-EUA como manual de ameaças híbridas. E o barril de pólvora do Golfo está prestes a incendiar o mundo inteiro.