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Vacina contra HPV: Por que meninas E meninos devem se vacinar contra o câncer

Saúde ✍️ Mette Hansen 🕒 2026-03-09 22:48 🔥 Visualizações: 1

No mundo inteiro, médicos e pesquisadores travam uma batalha intensa contra um inimigo invisível que, anualmente, tira a vida de centenas de milhares de mulheres. O inimigo se chama papilomavírus humano – ou simplesmente HPV. Mas a boa notícia é que temos uma arma que funciona. A questão é: estamos usando-a bem o suficiente? Especialmente aqui no Brasil, um país que normalmente leva a sério a vacinação.

Vacina contra HPV salvando vidas

Vacina contra HPV: Muito além do câncer de colo do útero

Quando se fala em vacinação contra o HPV, a maioria das pessoas pensa logo no câncer de colo do útero. E é verdade – o vírus HPV é a causa de praticamente todos os casos de câncer de colo do útero. Aliás, estima-se que cerca de 17 mil mulheres no Brasil recebam esse diagnóstico todos os anos, e globalmente o número é ainda maior. Mas o HPV é um vírus que faz mais do que isso. Ele também é uma das principais causas de câncer na boca, garganta e órgãos genitais, tanto em mulheres quanto em homens. Mesmo assim, pouquíssimos países conseguiram, de fato, vacinar os meninos em larga escala.

Meninos também precisam entrar na luta

Aqui no Brasil, especialistas em saúde têm reforçado a importância de incluir os meninos na campanha de vacinação contra o HPV. O argumento é claro: meninos transmitem o vírus e também correm o risco de desenvolver câncer de boca e garganta. Estudos recentes mostram que o câncer de boca relacionado ao HPV está aumentando entre os homens em diversos países. Então, por que durante anos o foco foi apenas nas meninas? A mentalidade está mudando, e cada vez mais especialistas apontam que precisamos vacinar a todos. É uma questão de imunidade de rebanho – quanto mais pessoas vacinadas, mais difícil fica para o vírus se espalhar.

O que diz a Organização Mundial da Saúde?

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tem repetido que temos uma oportunidade histórica de eliminar um tipo de câncer pela primeira vez. A meta é que 90% das meninas no mundo estejam totalmente vacinadas contra o HPV até os 15 anos de idade. E um número crescente de países está incluindo também os meninos em seus programas nacionais de vacinação. Isso exige vontade política e um esforço sério para informar a população de que a vacina é segura e realmente funciona.

E no Brasil, como estamos?

Por aqui, a trajetória da vacina contra o HPV teve seus altos e baixos. Depois de alguns anos com notícias falsas e queda na adesão, felizmente estamos retomando o caminho certo. A vacina contra o HPV faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para meninas desde 2014, e para meninos desde 2017. Mas ainda não chegamos lá. As metas de cobertura vacinal ainda não foram atingidas, e isso custa vidas. Cada vez que um pré-adolescente deixa de se vacinar, aumentam as chances de vermos, daqui a 20 ou 30 anos, mais casos de câncer de colo do útero e outras doenças causadas pelo HPV.

  • Câncer de colo do útero: Quase 100% dos casos são causados pelo HPV.
  • Câncer de boca e garganta: O HPV é responsável por uma parcela crescente desses tumores, especialmente em homens.
  • Câncer nos órgãos genitais: Cânceres de vulva, vagina, pênis e ânus podem ser desencadeados pelo HPV.
  • Verrugas genitais: Uma consequência benigna, mas incômoda, da infecção pelo HPV.

Vale lembrar que a vacina é muito mais eficaz se tomada antes do início da vida sexual. Por isso, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Mas mesmo quem é mais velho pode se beneficiar da vacinação – converse com seu médico ou vá a um posto de saúde.

O futuro é promissor, se agirmos agora

Imagine um mundo sem câncer de colo do útero. Isso não é utopia – é uma meta realista se alcançarmos altas taxas de vacinação e, ao mesmo tempo, garantirmos que as mulheres continuem fazendo o exame preventivo (Papanicolau). Porque, embora a vacina cubra os tipos mais perigosos de HPV, sempre há um pequeno risco residual. Mas com um esforço conjunto, podemos salvar dezenas de milhares de vidas todos os anos. Inclusive aqui no Brasil. Só precisamos que todos – pais, médicos, governantes – assumam a responsabilidade e digam sim às vacinas quando elas forem oferecidas. Afinal, é melhor prevenir do que tratar o câncer.

Então, da próxima vez que ouvir falar na vacina contra o HPV, lembre-se: não se trata apenas de meninas e câncer de colo do útero. Trata-se de proteger toda uma geração – tanto meninas quanto meninos – contra uma série de tipos graves de câncer. Nós temos os meios, temos o conhecimento e temos a oportunidade. Vamos agarrá-la.