Rob Baloucoune: Do Ostracismo ao Fator X da Irlanda Contra a Escócia
Há uma eletricidade no ar em Dublin neste fim de semana de São Patrício que vai muito além dos pints. O Aviva está lotado, a Tríplice Coroa está em jogo e, pelo quarto jogo consecutivo, Rob Baloucoune foi o escolhido na ponta. Doze meses atrás, se você dissesse a qualquer torcedor do Ulster, ou ao próprio jogador, que ele estaria aqui — começando uma partida decisiva do Seis Nações contra a Escócia como um dos primeiros nomes na escalação de Andy Farrell — eles te chamariam de louco. Mas cá estamos. E sabe de uma coisa? É a melhor das loucuras.
Vamos voltar no tempo para esta época no ano passado. Baloucoune não estava apenas fora da seleção irlandesa; ele estava fora de vista, fora da mente da maioria. Ele disputou apenas dois jogos pelo Ulster em toda a temporada 2024-25. O garoto de Enniskillen, criado em Tottenham, estava preso num ciclo de pesadelo de lesões nos tendões da coxa e contratempos no tornozelo. "O ano passado foi provavelmente meu ano mais difícil", admitiu ele recentemente, relembrando o "grande número de reveses" em que ele quase voltava a jogar, mas sofria um novo revés. Era um homem esquecido, e ele sabia disso.
Então, como é que 'O Gato' caiu de pé? Não foi sorte. Foi uma combinação de pura teimosia e um toque de genialidade técnica. Enquanto muitos caras na mesa de tratamento desligariam, Baloucoune estudava o jogo de um ângulo diferente. Ele começou a ajudar no treino dos backs no seu clube de origem, o Enniskillen RFC, pegando drills que aprendera com Mark Sexton, do Ulster. "Você vê o jogo de uma forma diferente", disse ele. Isso abriu sua mente para o que os forwards estão fazendo, como as jogadas se encaixam. Transformou um finalizador nato em um jogador de rugby completo.
O Fator X que Faltava à Irlanda
Quando ele finalmente teve sua chance contra a Itália no Seis Nações deste ano, foi como soltar um galgo. Ele marcou try, trabalhou, parecia que nunca tinha ficado de fora. Depois veio Twickenham. Aquela atuação completa não foi apenas um lampejo; foi uma declaração. Simon Zebo resumiu bem ao chamar Baloucoune de 'revelação' da Irlanda no torneio. "Por muito tempo, nos faltou aquele Fator X e a velocidade que outras equipes estão usando", disse Zebo. "Minha nossa, ele está fornecendo isso."
Não são apenas os tries, embora ele também os tenha — seis pelo Ulster antes mesmo do Seis Nações começar, e tries cruciais contra Itália e Inglaterra. É a ameaça constante. As defesas agora têm que se preocupar de verdade com os pontas. Elas têm que deslizar, têm que comprometer um homem extra, porque se você der a Baloucoune qualquer espacinho, ele passa por você. Como Zebo observou, o trabalho número um de um ponta é finalizar, e quando você tem um cara que pode finalizar de qualquer lugar, isso muda a forma como toda a defesa adversária se posiciona.
O Gato vs. As Ameaças Escocesas
O sábado é uma fera diferente. A Escócia de Gregor Townsend tem sido a equipe mais empolgante do campeonato, e seus pontas, Darcy Graham e Kyle Steyn, estão voando. Juntos, eles acumularam tries e estão salivando no Aviva. Mas Baloucoune também.
- Darcy Graham: "Ele é ágil, trabalha bem perto dos número 9", diz Baloucoune, reconhecendo ser uma área do seu próprio jogo que ele quer desenvolver.
- Kyle Steyn: "Um cara físico, ele sabe marcar tries", acrescenta o jogador do Ulster.
Mas o ponto é: Baloucoune não vai só para defender. Ele vê isso como uma oportunidade. "Eu confio em mim", diz ele simplesmente. E por que não confiaria? Ele tem a velocidade para incomodar qualquer um, e agora tem a inteligência de jogo para saber quando usá-la. Willie Anderson, um antigo guerreiro do Ulster, o apelidou de 'O Gato' não porque ele dorme — como Andy Farrell brincou, achando —, mas por causa da postura defensiva que ele adota, pronto para dar o bote. No sábado, contra um time escocês que adora trocar passes, ele vai precisar dar o bote tanto no ataque quanto na defesa.
Mais do Que Apenas um Jogo
Este não é apenas mais um jogo pela seleção para o jovem de 28 anos. É uma recompensa por ter persistido quando a opção fácil teria sido desistir. É um testemunho para sua mãe, Shirley, que o criou sozinha em Fermanagh depois que seu pai faleceu quando Rob tinha apenas seis anos, e que agora está lhe dando "dicas e truques" sobre como pegar bolas, para a sua diversão. E é um momento gigante para o Enniskillen RFC, o clube que teve que convencer um tímido garoto de 19 anos a treinar e o viu se desenvolver em um monstro que destruía os número 8 adversários na lateral.
Com a Tríplice Coroa em jogo e um título do Campeonato ainda sendo uma possibilidade matemática, o palco está montado. Rob Baloucoune passou de pensar que sua carreira internacional estava morta e enterrada a ser o homem em quem a Irlanda busca inspiração para fornecer aquela centelha. Contra uma confiante equipe escocesa, ele não é apenas parte do elenco de apoio. Ele é uma atração principal. E eu, por exemplo, mal posso esperar para vê-lo dar o bote.