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Irlanda no Futebol: Desgosto nos Pênaltis em Praga e a Longa Estrada de Volta para os Meninos de Verde

Esportes ✍️ Liam O'Connor 🕒 2026-03-27 00:51 🔥 Visualizações: 1
Jogadores da República da Irlanda abatidos após a disputa de pênaltis

Existe um certo tipo de silêncio que toma conta de um pub quando isso acontece. Você sabe qual é. Não é o silêncio de um passe errado ou de uma pausa tática; é aquele silêncio profundo, de dar um nó no estômago, que vem depois de uma derrota nos pênaltis. Para nós que acompanhamos o futebol irlandês com um fervor quase religioso, ontem à noite em Praga foi um desses momentos. O sonho da Copa do Mundo não está apenas adiado — acabou, pelo menos para os próximos anos, e dói de um jeito que só uma derrota na marca da cal pode doer.

Já assisto à seleção da República da Irlanda há tempo suficiente para saber que nunca fazemos nada pelo caminho fácil. Mas mesmo para os nossos padrões, o empate por 2 a 2 que forçou a prorrogação, seguido por aquela derrota brutal por 4 a 3 nos pênaltis para a República Tcheca, foi uma montanha-russa que deixou qualquer um tonto. O time de Heimir Hallgrimsson mostrou uma garra impressionante para buscar o empate não uma, mas duas vezes. Por um momento, depois do segundo gol de empate, dava para sentir a virada. Dava para sentir a confiança nas arquibancadas, e aqui na Nova Zelândia, dava para ouvir o rugido através dos alto-falantes do laptop conforme a tensão aumentava. Mas no fim, a loteria dos pênaltis foi contra nós. É uma maneira cruel, muito cruel, de ser eliminado.

O Panorama Além da Camisa Verde

Mas a questão sobre a identidade do futebol irlandês é esta — nunca é só sobre um time, um resultado ou uma desilusão. A paixão vai muito mais fundo do que a seleção principal masculina, mesmo numa noite como essa. Quando falamos sobre o esporte lá do outro lado, estamos falando de um ecossistema inteiro que é tão complexo e acirrado quanto a rivalidade entre um dérbi da Ilha Norte e da Ilha Sul.

Veja a seleção da Irlanda do Norte, por exemplo. Enquanto nosso foco está na campanha de classificação da República para a Copa, não dá para olhar para o cenário sem reconhecer o verde e branco do norte. A jornada deles sempre caminha paralela à nossa, uma fonte constante de direito de se gabar e debates amigáveis (e às vezes nem tão amigáveis assim). Depois, tem o futebol doméstico, a Liga de Futebol da Irlanda do Norte, onde a garra é forjada nas noites frias de terça-feira que constroem os jogadores que eventualmente chegam ao cenário internacional.

E sejamos honestos, se você realmente quer falar de paixão, olhe para as mulheres. O cenário do Futebol Feminino All-Ireland é algo completamente diferente. É puro, é implacável e muitas vezes parece a expressão mais verdadeira do esporte na ilha. Enquanto a seleção masculina lambe as feridas esta noite, as mulheres estão se preparando para mais uma temporada onde a intensidade nunca cai.

E Agora, Para Onde Vamos?

Então, onde isso nos deixa? Ao acordar na Nova Zelândia esta manhã, a sensação é um pouco como a manhã depois de uma longa noite de farra. A cabeça dói um pouco, você fica revivendo momentos que gostaria de poder mudar, mas já está procurando a próxima partida. Esse é o fardo de ser torcedor.

Para a República, esse resultado complica demais as coisas. Ficar de fora de um grande torneio é sempre um golpe para os cofres da FAI e para o desenvolvimento da equipe. Mas o lado bom, se você está desesperado para encontrar um, é a ascensão de alguns jovens que se destacaram em Praga. Eles não se esconderam. Quando a pressão apertou no segundo tempo, eles jogaram com uma liberdade que sugere que a próxima temporada do Campeonato de Futebol Sênior All-Ireland na GAA pode ter uma forte concorrência em termos de drama.

Olhando para o futuro, o caminho precisa ser construído com consistência. Não podemos apenas contar com viradas heroicas; precisamos construir um sistema que as torne menos necessárias. Mas essa é uma conversa para outro dia. Por enquanto, eis o que eu tiro deste capítulo mais recente na saga:

  • A Maldição dos Pênaltis é Real: Não somos só nós, não é mesmo? A história das disputas de pênaltis irlandesas é uma casa mal-assombrada. Ontem à noite, só adicionou mais um fantasma à coleção. Mas é preciso tirar o chapéu para os jogadores por terem batido. É preciso coragem para enfrentar aquela pressão.
  • A Torcida é Incomparável: Mesmo às 3h da manhã na Nova Zelândia, a comunidade de expatriados irlandeses aqui estava colada nas telas. Seja em Auckland, Wellington ou numa cidade pequena na Ilha Sul, a camisa verde nos conecta. A atmosfera em Praga parecia elétrica, e você sabe que os torcedores deram tudo de si.
  • A Luta Continua: No futebol irlandês, você aprende a apanhar. Vamos sacudir a poeira. O foco vai voltar para a Liga das Nações e, eventualmente, para as eliminatórias da Euro. O ciclo de esperança e desilusão começa tudo de novo.

É uma manhã difícil para ser um fã do futebol irlandês. Provavelmente vou assistir aos melhores momentos mais tarde, só para ver aqueles dois gols de novo, e então vou me forçar a ver os pênaltis. É uma forma de masoquismo com a qual todos estamos familiarizados. Mas a beleza deste esporte, especialmente na nossa parte do mundo, é que a esperança nunca morre de verdade. Pode levar uma surra, mas nunca morre. Um brinde à próxima campanha. Saúde.