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O Segundo Ato de Donald Trump: Tarifas, Ecos de Epstein e o 'Show' Continua

Mundo ✍️ Liam O'Connell 🕒 2026-03-04 15:33 🔥 Visualizações: 1

Nesta manhã, Donald Trump estava de volta ao batente, disparando uma enxurrada de posts do Salão Oval que deixaram os cabos diplomáticos vibrando de Dublin a Doha. Com o cessar-fogo no Oriente Médio se desgastando e líderes europeus correndo para coordenar uma resposta em Bruxelas, o 47º Presidente deixou uma coisa bem clara: seu segundo mandato não é sobre baixar o volume, é sobre aumentar o som, e que se danem as consequências.

Donald Trump

Para nós aqui da Irlanda, o barulho parece muito mais perto do que meros 5 mil quilômetros de distância. Já passamos por guerras comerciais antes – nossos pecuaristas e produtores de uísque ainda carregam as cicatrizes do último round de retaliações tarifárias transatlânticas. Mas as tarifas no segundo governo Trump estão se mostrando um bicho completamente diferente. Os boatos vindos de Washington apontam para uma nova taxa de 25% sobre o aço e alumínio europeu já no próximo mês, com a ameaça de tarifas setoriais sobre carros e produtos farmacêuticos pairando como uma espada sobre a UE. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recém-saído de reuniões com aliados da OTAN, resumiu o clima em Bruxelas ao dizer: "Precisamos permanecer unidos e firmes." Belas palavras. Mas será que a união será suficiente contra um Presidente que trata tarifas não como política econômica, mas como entretenimento em horário nobre?

E tem também a sombra que simplesmente não vai embora – a relação de Donald Trump e Jeffrey Epstein. Os documentos judiciais recentemente revelados na semana passada, parte de uma longa novela jurídica, jogaram a associação de volta aos holofotes. Antigos registros de voos, depoimentos de testemunhas e fotos do início dos anos 2000 estão sendo examinados novamente. Donald Trump Jr. foi rápido em tentar ignorar o assunto durante uma aparição recente na TV, chamando tudo de "história antiga reciclada para gerar cliques". Mas, para muita gente, as imagens de Trump e Epstein rindo juntos em Mar-a-Lago são uma coceira que não passa – um lembrete de que, na órbita de Trump, o pessoal e o político estão para sempre entrelaçados.

Essa eterna mistura de limites é a razão pela qual O Show de Donald Trump – um termo que virou atalho para sua mistura única de instinto de reality show e realpolitik agressiva – agora está firmemente em sua segunda temporada. O elenco inclui Don Jr., Eric e uma Ivanka um pouco mais reservada, enquanto as reviravoltas no enredo não param: retirar-se de mais um órgão da ONU numa semana, lançar um plano bizarro para "recomprar" o Canal do Panamá na seguinte. É caótico, é imprevisível, e é exatamente assim que sua base gosta. O resto de nós fica assistindo, pipoca na mão, torcendo para que a confusão não pare na nossa porta.

Lá no Oriente Médio, a trégua frágil que foi mediada na primavera passada está cada dia mais instável. O enviado especial de Trump tem ido e vindo entre Riad e Tel Aviv, mas os apelos públicos do próprio Presidente por uma "vitória total e decisiva" – ecoando sua retórica da era do Afeganistão – estão fazendo os diplomatas arrancarem os cabelos. O contraste com a abordagem mais multilateral e de cortejar aliados de Joe Biden não poderia ser maior. Para a Europa, que passou anos tentando construir uma política mediterrânea coerente, é como assistir alguém jogar um fósforo num quarto cheio de jornais velhos.

Então, o que tudo isso significa especificamente para a Irlanda? Vamos detalhar o impacto local:

  • Carne bovina e laticínios: O setor agroalimentar, nossa maior indústria nativa, está na mira. Se Trump avançar com as tarifas agrícolas, os fazendeiros irlandeses podem sofrer um prejuízo de até €500 milhões da noite para o dia.
  • Produtos farmacêuticos: Nossa maior exportação individual para os EUA são medicamentos – pense em todos aqueles produtos da Pfizer e da Johnson & Johnson feitos aqui. Uma tarifa de 25% doeria, e muito.
  • Tecnologia e serviços digitais: A longa novela sobre o imposto sobre serviços digitais não vai embora. Trump já ameaçou retaliação contra o vinho francês; os servidores de dados irlandeses podem ser os próximos na lista.

No final, enquanto O Show de Donald Trump acelera em direção ao seu próximo intervalo comercial, a Irlanda se vê presa na primeira fila. Não podemos mudar de canal, nem fingir que o enredo não nos envolve. Tudo o que podemos fazer é nos preparar para as reviravoltas, manter as linhas abertas com Bruxelas e torcer para que os roteiristas não matem nossos personagens favoritos. Mas, com esse elenco, o final nunca, jamais é previsível.