O Efeito Lewandowski: Como um Cobertor Esquecido e uma Audiência no Senado Derrubaram Kristi Noem
Se você tem acompanhado as notícias nas últimas 48 horas, é compreensível pensar que caiu de paraquedas no set de um drama político que perdeu completamente o rumo. Temos um coberto elétrico desaparecido, um piloto demitido, uma campanha publicitária de US$ 220 milhões estrelada por uma secretária que parece ter saído de um elenco de Hollywood, e no centro de tudo isso: Corey Lewandowski, o combativo gerente de campanha de Donald Trump em 2016. Todo esse circo chegou ao auge esta semana, e a consequência foi Kristi Noem fora do cargo no Departamento de Segurança Interna (DHS).
Vamos voltar um pouco. Há meses, os rumores circulavam pelos corredores do DHS. Lewandowski, oficialmente um "funcionário especial do governo" (um título que ele aparentemente esticou muito além do limite de 130 dias), estava praticamente colado em Noem. E ele não estava lá só para dar apoio moral. De acordo com memorandos internos do governo que vieram à tona esta semana, o cara estava praticamente carimbando a papelada. Um senador democrata sênior jogou uma bomba durante uma audiência do Comitê Judiciário, citando documentos que revelavam que Lewandowski aprovou pessoalmente um contrato de equipamentos de vários milhões de dólares no verão passado. Quando esse senador perguntou diretamente a Noem se Lewandowski tinha algum papel na aprovação de contratos, a resposta dela foi um "não" seco e inequívoco. Essa resposta, como se viu, envelheceu mal.
A Audiência de "Lixo de Tabloide"
A audiência daquela terça-feira foi uma aula de como criar situações politicamente embaraçosas. Noem estava lá para falar sobre fiscalização da imigração, mas os democratas tinham outros planos. Uma deputada da Califórnia foi direta ao ponto, perguntando sem rodeios se a secretária já tinha tido "relações sexuais" com seu principal assessor. Noem, com o marido Bryon sentado estoicamente atrás dela, descartou a pergunta como "lixo de tabloide".
Mas todos na sala sabiam. Todo mundo sabia. Quando um democrata da Flórida insistiu para que ela dissesse apenas "não" para constar nos registros, ela partiu para o confronto direto, acusando-o de estar insinuando que "mulheres conservadoras são burras ou vagabundas". Foi um momento de alto teatro político, mas foi a resposta que ela não deu sobre os contratos — e não os rumores do caso — que parece ter desencadeado o problema legal. Esse senador está agora exigindo que ela emende seu depoimento, lembrando-a de que existem "penalidades criminais" por fazer declarações falsas ao Congresso.
De Ligares Enfurecidos à Demissão
Enquanto Noem se esquivava das perguntas no Capitólio, Donald Trump estava ao telefone com aliados republicanos, fervendo de raiva. O que realmente o irritou? Não foram as fofocas do caso extraconjugal. Foi o dinheiro. Especificamente, a campanha publicitária de US$ 220 milhões do DHS que estampava Noem com tanta frequência que até parecia que ela estava concorrendo a um cargo eletivo.
Durante seu depoimento, Noem sugeriu que Trump tinha autorizado os gastos massivos com publicidade. A lembrança do Presidente, digamos, foi "diferente". Um senador da Louisiana que a questionou disse mais tarde a membros do partido que, após a audiência, Trump ligou para ele, e ficou claro que o Presidente estava fervendo pelo que via como uma tentativa dela de jogar a culpa nele. Como uma fonte da Casa Branca contou a um tabloide de Nova York, a "resposta evasiva impressionante" sobre o caso pode ter sido a gota d'água para a imagem pública, mas mentir sobre a aprovação dele para os anúncios foi a traição pessoal.
Na quinta-feira, estava feito. Trump anunciou em sua plataforma de mídia social que Noem estava fora do cargo de secretária do DHS, realocando-a para uma função recém-criada de "Enviada Especial para O Escudo das Américas". É um título chique para o que parece muito mais como uma saída honrosa.
E Agora, o que Acontece com Lewandowski?
Para onde vai Noem, vai sua sombra. Fontes do partido confirmaram que Corey Lewandowski também deixará o departamento. Quando questionado por um tabloide de Nova York se permaneceria na administração, Lewandowski minimizou a situação: "Ainda não tomei essa decisão." Ele, no entanto, fez uma cortesia de aprovação ao novo chefe do DHS, o senador Markwayne Mullin (R-OK), o ex-lutador de MMA que certa vez desafiou um líder sindical para uma briga durante uma audiência no Senado. Mullin é a escolha de Trump para fazer a limpeza na casa, e pode apostar que ele não vai aturar desaforos.
Para Lewandowski, essa saída é apenas mais um capítulo em uma história cheia de reviravoltas. Se você quer conhecer a origem de tudo, precisa pegar uma cópia de Deixe Trump ser Trump: A História Real da Sua Ascensão à Presidência, o livro que ele coescreveu com David Bossie. Está tudo lá: o caos da campanha de 2016, as intrigas palacianas, a "ilha dos brinquedos quebrados" que foi aquela primeira operação. A leitura é como o manual do caos que estamos vendo agora.
Olhando para trás, para os últimos meses do mandato de Noem, as controvérsias se acumulam como uma torre de Jenga que estava destinada a cair:
- As Mortes em Minneapolis: Dois cidadãos americanos foram mortos por agentes federais durante uma operação de fiscalização da imigração, gerando indignação e uma paralisação parcial do DHS.
- A Ofensiva de Publicidade de US$ 220 Milhões: Um contrato gigantesco concedido a uma empresa dirigida pelo marido de sua ex-porta-voz, com participação maciça de Noem.
- A "Briga do Cobertor": Lewandowski, segundo relatos, invadiu a cabine de um avião do governo para reclamar de um cobertor elétrico extraviado que pertencia a Noem, o que levou à demissão do piloto.
- O Segredo de Polichinelo: Rumores persistentes de um caso entre os dois funcionários casados, o que tornou o ambiente de trabalho no DHS um tópico constante de fofoca.
O líder da minoria na Câmara resumiu a reação democrata à demissão com apenas duas palavras nas redes sociais: "A Barbie da Imigração foi pro espaço. Boa viagem." Amando-a ou odiando-a, a ascensão rápida e a queda ainda mais veloz de Noem é um clássico conto de Washington. E, como sempre, pairando nos bastidores, influenciando os contratos e causando o caos, estava Corey Lewandowski — o homem que provou que você não precisa de um cargo oficial para brincar com fogo.