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EUA: Protestos "Sem Reis" contra Trump – Milhares vão às ruas

Política ✍️ Lukas Meier 🕒 2026-03-29 23:51 🔥 Visualizações: 2
Protestos contra Trump nos EUA

São cenas que não se esquecem facilmente. Da Costa Leste à Califórnia, as pessoas voltaram a tomar as ruas, e desta vez os gritos de ordem estão mais altos, as placas mais provocativas. Os protestos “Sem Reis” contra Donald Trump ganharam uma força nos últimos dias que surpreende até os observadores mais experientes da política americana. Não se trata mais apenas da resistência clássica vinda das grandes cidades; o descontentamento ferve no interior do país.

Tenho a sensação de que algo diferente está crescendo aqui em comparação com o primeiro mandato. Entre 2015 e 2017, as manifestações eram muitas vezes uma reação espontânea a decretos surpreendentes. Desta vez, é diferente. Há uma estrutura, uma profundidade histórica que lembra os grandes movimentos pelos direitos civis. Um nome que aparece constantemente nesses círculos é o do historiador Ta-Nehisi Coates. Seu livro “We were eight years in power: Uma tragédia americana” se tornou uma espécie de bíblia por aqui. Ele resume o que muitos temem: que a luta pela democracia nunca termina de verdade, e que as conquistas do passado – especialmente os anos sob Obama – podem desmoronar mais rápido do que gostaríamos.

Da guerra com o Irã à Constituição: As muitas faces do protesto

O que mais me fascina nesses protestos desde 2024 é a amplitude de motivos que levam as pessoas às ruas. Não é mais apenas um único estopim, mas uma mistura de profunda preocupação e raiva explícita. Converso com pessoas em Washington, e elas concordam: os protestos contra Donald Trump são, desta vez, um ponto de encontro para todos que sentem que a democracia americana está entrando em uma perigosa encruzilhada.

  • A preocupação com a separação dos poderes: Sob o lema “Sem Reis”, já não se trata mais apenas de leis específicas, mas da questão fundamental sobre se os EUA estão caminhando para uma direção autoritária. O Judiciário está sendo atacado, e o Congresso parece muitas vezes um mero espectador.
  • Política externa como estopim: A tensão em relação à guerra com o Irã não é só uma questão de diplomacia internacional. Para muitos aqui, é a prova de que o Executivo toma decisões de alcance histórico sem o respaldo do povo. Isso assusta as pessoas.
  • A insegurança econômica: Esqueça os gráficos e as cotações da bolsa. Nos estados onde a indústria enfrenta dificuldades, e entre os jovens que não conseguem mais comprar a casa própria, cresce a sensação de que a política só trabalha para os próprios financiadores.

Pense só nisso: tem gente protestando contra a política externa no Oriente Médio, enquanto ao lado alguém ergue uma placa citando a Constituição. E tudo isso sob um denominador comum: que a democracia não é propriedade de um único indivíduo. Eu mesmo estive em algumas dessas marchas, e a energia é contagiante – mas também preocupante.

Um movimento sem um plano mestre?

A grande questão, claro, permanece: aonde isso vai levar? Alguns alertam para uma divisão que aprofunde ainda mais as trincheiras no país. Outros veem nisso o último grito da sociedade civil antes que seja tarde demais. Lembro bem dos protestos de 2016, quando muitos achavam que seria apenas um mal-estar passageiro. Hoje eu sei: os protestos contra Donald Trump desde 2024 são de outro patamar. São mais organizados, mais ramificados e – e isso é crucial – têm uma espinha dorsal narrativa.

É essa mistura de reflexão histórica, como a que Coates faz em seu livro, com a raiva atual sobre as decisões políticas. Nos trens para Washington ou nos cafés em Portland, não se discute apenas a última manchete, mas a questão de como manter uma democracia “reparável”. É isso que torna esse movimento tão poderoso e, ao mesmo tempo, tão imprevisível para o establishment em Washington.