Kevin McManamon: 'Vivíamos num Lugar Muito Especial' – Lenda de Dublin Abre o Jogo Sobre a Era de Glória e a Polémica da Divisão do Condado
Se fosse possível engarrafar o espírito da maior era do futebol de Dublin, ele provavelmente se pareceria muito com Kevin McManamon a invadir uma defesa na final do All-Ireland de 2011. Aquele gol ousado mudou tudo para os Dubs, e agora, mais de uma década depois, o próprio homem está a revelar os segredos que faziam aquela equipa funcionar. Falando esta semana, McManamon fez o tipo de reflexões cruas e honestas que nos lembram porque ele foi o coringa supremo e, mais tarde, um líder que definiu uma geração.
Para qualquer um que acompanhou os Rapazes de Azul durante os anos de Jim Gavin e depois, parecia que estávamos a ver algo sobrenatural. McManamon concorda, mas ancora isso em algo mais humano do que o mito. "Vivíamos num lugar muito especial durante aqueles anos", disse ele, recordando o vínculo que transformou um conjunto de talentos absurdos numa unidade imbatível. Não eram apenas as medalhas – embora, Deus sabe, eles tenham limpado tudo – era sobre a loucura que partilhavam nos bastidores, a confiança que significava que um jogador podia sair do banco e ainda assim mudar o curso da história.
O Golo Que Deu o Pontapé de Saída
Não se pode falar de Kevin McManamon sem voltar àquela tarde de setembro de 2011. Os Dubs estavam atolados contra Kerry, e então McManamon, um rosto novo, recebeu um passe, ajeitou e mandou para as redes na curva do Hill. Foi a faísca que incendiou o futebol de Dublin. Aquele golo não ganhou apenas um All-Ireland; ele anunciou que Dublin já não era mais a equipa que engasgava – eles eram agora os caçadores. E McManamon, a partir daquele momento, tornou-se a personificação da nova garra de Dublin.
Mas perguntem-lhe agora, e ele dirá que aquele momento foi apenas um sintoma de algo maior. O plantel que cresceu em torno dessa vitória foi construído com base numa competição interna feroz e numa compreensão quase telepática. Cada rapaz naquele balneário sabia qual era o seu papel, fosse ele titular ou suplente. É por isso que eles continuaram voltando, ano após ano, erguendo a Taça Sam Maguire repetidamente. A lista de feitos fala por si:
- 7 títulos Seniores de Futebol All-Ireland (2011, 2013, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019)
- 11 Campeonatos Seniores de Futebol de Leinster (uma sequência que se tornou rotina, mas nunca entediante)
- 5 Ligas Nacionais de Futebol para completar a coleção de troféus
Esses números são impressionantes, mas os comentários recentes de McManamon lembram-nos que foram conquistados por homens que realmente gostavam da labuta. Ele fala do balneário como um santuário, um lugar onde o barulho vindo de fora – a pressão, o hype, os críticos – simplesmente desaparecia.
'Estavam a nos Provocar' – A Polémica da Divisão Descartada
E por falar em barulho externo, Kevin McManamon não se conteve num tópico que tem circulado nos círculos da GAA: os ocasionais pedidos para dividir Dublin em duas ou mais entidades para nivelar o campo de jogo. É uma conversa que surge sempre que a dominância da capital se torna demais para o resto do país engolir, mas McManamon rejeita-a com o mesmo desdém que mostraria a uma bola alta e pendurada entrando na área.
"Estavam a nos provocar", disse ele, refletindo sobre como a equipa via essa narrativa. Para ele, a sugestão falha completamente o alvo. A força de Dublin não era uma conspiração; era o resultado de uma população massiva, sim, mas também de uma cultura que foi cuidadosamente cultivada ao longo de anos. Não se pode simplesmente fatiar o condado e fingir que a paixão se dividiria de forma organizada. O poder dos Dubs vinha da mistura da cidade com os subúrbios, do norte com o sul, todos puxando na mesma direção. Sugerir dividi-los, aos olhos de McManamon, era um insulto ao trabalho árduo que foi investido para tornar Dublin uma potência.
"Nós não ouvíamos nada disso", acrescentou. "Estávamos apenas focados no que tínhamos dentro das quatro paredes." E o que eles tinham dentro dessas paredes era uma geração de futebolistas que reescreveram os livros de recordes. Nomes como Cluxton, Flynn, Connolly e, claro, o próprio McManamon – cada um uma lenda por mérito próprio, mas juntos, algo intocável.
Qual é o Próximo Passo para o Homem?
Agora reformado do cenário inter-condados, McManamon continua na ativa, oferecendo ideias que só um homem com a sua experiência pode ter. Ele tem sido ligado a funções de treinador, comentários desportivos, e imaginamos que o seu telefone não tenha parado de tocar desde que ele começou a falar novamente esta semana. Se a sua carreira de jogador nos ensinou alguma coisa, é que ele abordará o próximo capítulo com a mesma inteligência e determinação que trazia para desmontar defesas.
Para os fãs de Dublin, ouvir Kevin McManamon falar é como encontrar um velho amigo que, por acaso, fez parte do maior espetáculo que o GAA já viu. As suas palavras são um lembrete de que, embora as medalhas possam perder o brilho e os jogos se desvaneçam na memória, o vínculo entre aqueles homens – e entre eles e os fãs – era o verdadeiro prémio. E quanto a dividir Dublin? Não prendam a respiração. Como McManamon provou vezes sem conta, os Dubs estão no seu melhor quando estão unidos.