Quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiânia? A tragédia que virou série global da Netflix
Foi um daqueles assuntos que a gente aprende na escola, mas que, com o tempo, vai ficando meio apagado na memória. Só que, de repente, o mundo inteiro resolveu falar de novo sobre Goiânia. A série “Emergência Radioativa” estourou no catálogo da Netflix, entrou no top 10 global e acendeu aquela curiosidade que todo mundo tem, mas poucos sabem responder direito: afinal, quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiânia? E o que aconteceu com aquele lugar amaldiçoado?
Vou te contar porque eu vivi cada capítulo dessa história de perto. Não nos anos 80, claro, mas acompanhando de camarote o eco que esse desastre deixou pelas ruas do Centro-Oeste. Hoje, com a série dando o que falar, parece que o fantasma do césio resolveu dar as caras de novo. E a pergunta mais repetida nos bares, nos grupos de zap e até nos comentários da galera que tá maratonando a série é sempre essa: quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiania. Então bora botar os pingos nos is.
O número oficial e o que ele não conta
Se você for jogar no Google agora, o número oficial e frio que aparece é quatro mortes diretamente atribuídas à contaminação. Quatro pessoas. Mas quem é daqui, quem viu aquela poeira azul brilhando na mão de criança, sabe que esse número é mentiroso. Ele não mede o tamanho do estrago.
As quatro vítimas fatais diretas foram: Leide das Neves, a dona de casa que mexeu no sucata e encontrou o chumbo; Maria Gabriela Ferreira, a menininha de seis anos que brincou com o brilho do césio e virou símbolo da tragédia; Israel Batista dos Santos, o vigilante; e Ademar Alves Ferreira. Eles morreram nos primeiros meses, entre o final de 1987 e o começo de 1988. Mas a verdade nua e crua é que a conta foi muito maior.
Se você for contar o rastro de doenças, os casos de câncer que surgiram depois, as depressões, os estigmas e o suicídio de pessoas que não aguentaram viver com o medo ou a culpa, esse número sobe. Muita gente fala em dezenas de óbitos ao longo dos anos seguintes ligados diretamente ao acidente. O césio não mata só na hora. Ele corrói devagar. E essa é a parte que a galera que tá buscando um how to use quantas pessoas morreram com o cesio 137 em goiania guide precisa entender: não é um número exato. É uma ferida aberta.
Onde o pesadelo aconteceu e como estão esses lugares hoje?
Muita gente que assiste à série ou lê os textos antigos fica encucada com os locais. O que virou a rua 57, no Setor Aeroporto? E aquele ferro-velho do Devair? Pois é, a história também mora nos lugares.
O principal ponto, a Rua 57, ainda existe, mas não é mais a mesma. Depois que a contaminação foi descoberta, a área virou um canteiro de obras de contenção. Muitas casas foram literalmente raspadas, arrancadas do mapa. O solo foi removido. E o que sobrou? Hoje, parte daquela região foi urbanizada de novo, mas o terreno onde ficava o antigo galpão da Goiânia Vigilância, onde a cápsula foi aberta pela primeira vez, permanece como um marco silencioso. É um daqueles lugares que a gente passa de carro e sente um arrepio, mesmo sem ver nada de errado.
Se você quiser fazer um quantas pessoas morreram com o cesio 137 em goiania review da situação atual, vai ver que não é só sobre o passado. Os chamados "locais atingidos" continuam sob monitoramento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Tem área isolada por décadas, com placas de radioatividade. O maior exemplo é o depósito de Abadia de Goiás, na região metropolitana, onde foi jogado todo o lixo contaminado. Aquele lugar virou um cemitário nuclear a céu aberto. Só entra quem tem autorização e trena de medição no bolso.
O que a série "Emergência Radioativa" mudou na visão do Brasil?
O que me deu um nó na garganta foi ver a série furar a bolha. Circulou na imprensa que ela entrou no top 10 mundial da Netflix. E, sinceramente, eu achei que ninguém mais se importava com isso fora daqui. Mas o mundo ficou chocado de novo. Até quem costuma acompanhar os fenômenos de audiência comentou que ela fez uma boa estreia, mesmo contra os fãs de um tal grupo sul-coreano que todo mundo sabe qual é. E por que isso importa?
Porque a série, com aquela pegada de suspense e denúncia, resgatou uma dor que a gente tenta esquecer. E trouxe uma galera nova, que não é de Goiás e nem viveu aquilo, para perguntar: quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiania? O que era só um parágrafo de livro didático virou debate nas redes.
E sabe o que é mais doido? Ver os próprios goianos comentando. Tem gente que mora no Setor Aeroporto hoje e não fazia ideia que pisava no lugar onde Leide encontrou o aparelho. Tem moleque novo que só foi entender a gravidade agora, vendo a história virar entretenimento. É estranho, mas também é educativo.
O legado: mais do que números
Quando me perguntam se a gente "superou" o césio, eu digo que não. A gente aprendeu a conviver com a cicatriz. Se você olhar a lista de medidas que o Brasil tomou depois disso, foi um divisor de águas. A lei que proíbe sucateamento de equipamentos radioativos, a criação de protocolos de emergência, tudo isso veio depois de 1987.
Mas o que mais me pega, e o que eu acho que todo mundo que tá lendo esse guide deveria guardar no coração, é o seguinte: não adianta saber quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiânia se você não entende o que elas representam.
- Leide: a descoberta acidental, a mãe que só queria ganhar uns trocados.
- Maria Gabriela: a inocência que pagou o preço mais caro por um brilho bonito.
- Os catadores: a face invisível de um país que não olhava para seu lixo.
- Os vizinhos: famílias inteiras que foram proibidas de levar qualquer coisa de casa, porque até a roupa do corpo estava condenada.
Então, da próxima vez que alguém te perguntar quantas pessoas morreram com o césio 137 em Goiania, você pode falar: "foram quatro nos primeiros meses, mas o desastre matou a paz de uma cidade inteira". É isso que a série, no melhor dos momentos, tenta mostrar. E é isso que a gente, que ama essa Goiânia de sol quente e povo acolhedor, não pode deixar virar só um número numa estatística fria.