Crise nos lares de idosos na Alemanha: mais idosos não conseguem pagar as contas
São números de dar náuseas. As novas estatísticas sobre os cuidados de longa duração na Alemanha foram divulgadas, e mostram um recorde negativo que me preocupa profundamente, como alguém que vive aqui há mais de cinco décadas. 37% de todas as pessoas em lares de idosos dependem agora da assistência social. Um em cada três! Isto não é apenas um número de um relatório ministerial – são pais, mães, vizinhos que trabalharam a vida inteira, contribuíram e talvez até construíram uma casa. E agora, o dinheiro não dá para nada.
Quando a aposentadoria não é suficiente: A vaga cara no lar de idosos
A conta é muito simples, mas o resultado é devastador. Os custos de uma vaga num lar de idosos estão pelas nuvens. Estamos a falar de valores mensais entre 2.500 e 4.000 euros – dependendo da região e do grau de dependência. E a aposentadoria legal? Em média, é de pouco mais de 1.500 euros. Há um rombo que cada vez mais pessoas não conseguem tapar. Antigamente, dizia-se: "A velhice está garantida." Hoje, tenho que dizer: para muitos, a velhice é o colapso financeiro.
Particularmente perverso: não afeta apenas aqueles que já tinham pouco. Quem tem uma casa pequena ou algumas poupanças também queima tudo rapidamente. Primeiro, é preciso gastar o próprio patrimônio, antes de o Estado intervir. Ouço isso frequentemente de conhecidos cujos pais estão agora num lar: "Eles pouparam cada euro a vida inteira, e agora perderam tudo." É amargo.
Especialistas em saúde alertam: "Colapso do setor" está iminente
Por isso, há meses que os principais representantes dos seguros de saúde alertam para o colapso do setor de cuidado de idosos. E eles têm razão. A atual taxa de dependência da assistência social é a mais alta que já tivemos. Isto é o termômetro de uma sociedade que abandona os seus mais velhos. Mas qual é exatamente a causa? A resposta é complexa, mas os principais culpados são facilmente identificados:
- Aumento dos custos com pessoal: Precisamos urgentemente de mais cuidadores. Para os atrair e reter, os salários têm de subir. Isso é correto e importante, mas leva automaticamente a taxas mais altas nos lares.
- Inflação e custos de energia: Os próprios lares lutam com preços explosivos da eletricidade, aquecimento e alimentos. Isso também é repassado aos residentes.
- Falta de profissionais qualificados: Este ponto é o cerne da questão. Simplesmente faltam mãos para cuidar. Cada vez menos jovens querem este trabalho desgastante.
E a falta de cuidadores já não afeta apenas os lares. Quem é cuidado em casa – o chamado cuidado domiciliar – enfrenta frequentemente um problema ainda maior. Os familiares não dão conta do recado, e encontrar um serviço de enfermagem domiciliar com vagas é uma lotaria em muitas regiões. A figura do cuidador vizinho, que aparece rapidamente, é uma espécie em extinção.
Do berço ao túmulo: O sistema tem fissuras
Às vezes, tenho a sensação de que este apagão na área da enfermagem se estende a todas as áreas da vida. A situação no acolhimento familiar também é alarmante. Há uma enorme falta de famílias e profissionais para cuidar de crianças em situação difícil. Os mais pequenos, que mais precisam da nossa proteção, caem na mesma malha que os mais velhos. Porque as condições estruturais são simplesmente catastróficas. Quem é que ainda quer isto hoje em dia? A remuneração é muitas vezes fraca, o reconhecimento é nulo, o stress é enorme.
Não é possível que, num dos países mais ricos do mundo, abandonemos desta forma os nossos idosos e os mais vulneráveis. Há anos que os políticos falam em reformas do setor, em alívio e melhores salários. Pouco ou nada foi feito. Os cuidados de longa duração neste país não precisam de discursos de domingo, precisam de ação. Caso contrário, os 37% de hoje serão a normalidade daqui a alguns anos – e o colapso total será apenas uma questão de tempo.