O NPD Pode se Reerguer? Nos Bastidores da Reta Final da Disputada Corrida pela Liderança
Já estou aqui há tempo suficiente para lembrar quando o NPD realmente dava trabalho para os grandes partidos. E agora? Chegando na reta final desta corrida pela liderança, a impressão que dá é que o partido está encarando o abismo. A votação começou esta semana, e até 29 de março, em Winnipeg, saberemos quem é corajoso — ou louco — o bastante para tentar tirar os Novos Democratas do buraco.
Vamos ser realistas: depois da derrota acachapante de 2025, que viu Jagmeet Singh perder a própria cadeira e a bancada encolher para um mero punhado de gente, isso não é só uma disputa interna. É uma busca por uma ressurreição política. Com apenas seis assentos no Parlamento, e os liberais de Mark Carney e os conservadores de Pierre Poilievre dominando as manchetes, o novo líder terá que reconstruir tudo do zero. É um deserto político que faria até o mais experiente militante querer largar tudo e virar corretor de imóveis.
Os Três Pesos-Pesados (E os Demais)
Cinco nomes chegaram à cédula final, mas quem está prestando atenção sabe que a briga é realmente de três. Temos o cineasta ativista com sobrenome de peso, a deputada federal que sabe como ganhar em Alberta, e o líder sindical que acha que o partido esqueceu suas raízes. A análise é a seguinte:
- Avi Lewis: A máquina de arrecadação, juntando mais de $1,2 milhão, pelo que soube. Ele vende ideias ousadas — como mercados de propriedade pública — para combater a crise do custo de vida. A ala esquerda do partido o adora, mas será que ele consegue vender socialismo fora do centro de Toronto? Essa é a pergunta de um milhão de dólares.
- Heather McPherson: A deputada de Edmonton é a única candidata com assento no Parlamento, e tem o discurso de "sou eu quem ganha eleição" na ponta da língua. Ela provou que pode vencer em Alberta — duas vezes. Sua proposta é de reconstrução estável e pragmática, e ela é a favorita entre o pessoal que realmente tem que trabalhar na Câmara.
- Rob Ashton: O líder dos estivadores se apresenta como o candidato puro-sangue da classe trabalhadora. Ele martela a mensagem de que o NPD parou de conversar com o povo. Seu foco é estritamente em trabalhadores, habitação, e enfrentar a "classe dominante". Ele tem a máquina sindical por trás, mas consegue ir além dessa base?
- Tanille Johnston e Tony McQuail: Johnston, a primeira mulher indígena a concorrer à liderança, traz uma voz nova sobre Renda Básica Universal e direitos indígenas. McQuail, o agricultor orgânico, é a voz da experiência em sustentabilidade. Ambos agregam perspectivas importantes, mas estão com pouca estrutura para vencer.
Os Reflexos nas Províncias: O Fator Eby, McGowan e Pancholi
Enquanto o nível federal se organiza, as alas provinciais seguem seus próprios caminhos — e é impossível ignorar o contraste. Lá em BC, o NPD de David Eby está muito bem, liderando com folga nas pesquisas. Quer dizer, o cara praticamente já ganhou a liderança provincial por aclamação. Isso mostra que a marca não está morta em todo lugar; só precisa do mensageiro certo.
Mas as disputas provinciais também servem de alerta, especialmente no Oeste. Lembram da corrida estadual do NPD em Alberta? Gil McGowan teve que desistir porque não conseguiu levantar verba. A saída dele em 2024 mudou completamente aquele pleito, provando que mesmo que você tenha as ideias certas para reconquistar a classe trabalhadora, se não tiver um bom fundo de guerra, está queimado. E também teve a Rakhi Pancholi, que entrou na corrida de Alberta com muito barulho, só para sair depois e apoiar Naheed Nenshi. É um esporte sangrento, pessoal.
Essas dinâmicas provinciais importam porque o novo líder federal terá que trabalhar de mãos dadas com premiers populares como Eby e Wab Kinew, de Manitoba. Se o novo chefe for radical demais ou muito desconectado, corre o risco de criar atrito com os únicos governos do NPD que realmente estão, digamos, governando.
O Que Acontece em 29 de Março?
Esta corrida é notoriamente difícil de prever. Não há pesquisas públicas com os filiados, então ficamos tentando ler sinais, como números de arrecadação e apoios sindicais. Lewis tem o dinheiro e o nome conhecido (o avô dele, David Lewis, liderou o partido federal, e o pai, Stephen, liderou o NPD de Ontário). McPherson tem a militância organizada e a experiência parlamentar. Ashton tem a força sindical.
O NPD usa voto em cédula com ordem de preferência, o que significa que as segundas opções dos eleitores de Johnston e McQuail podem acabar decidindo a eleição. Se Lewis for considerado muito à esquerda para os pragmáticos, e Ashton muito focado nos sindicatos para os ativistas, McPherson pode emergir como a opção de consenso nas rodadas finais.
Quem quer que vença, vai entrar numa sinuca de bico. Os liberais sob Carney cooptaram boa parte do espectro de centro-esquerda, e os conservadores estão comendo a fatia do voto da classe trabalhadora que era território do NPD. O novo líder terá que reconstruir uma bancada destroçada, levantar fundos, e de alguma forma fazer o partido voltar a ser relevante. É uma missão quase impossível — mas como Jack Layton provou em 2011, às vezes uma chance é tudo o que você precisa. Em duas semanas saberemos se o partido encontrou sua próxima grande esperança.