Gilson Finkelsztain deixa B3 para assumir como CEO do Santander Brasil no lugar de Mario Leão
O mercado financeiro brasileiro amanheceu com uma das notícias mais comentadas do ano. Pelos corredores da Faria Lima, o assunto era só um: a confirmação de que o Santander Brasil terá um novo presidente. Mario Leão deixa o comando após quatro anos, e Gilson Finkelsztain, que estava à frente da B3, foi o nome escolhido para assumir a cadeira até julho. Quem tem contato com os bastidores já esperava por um movimento desse porte, mas a oficialização pegou muitos de surpresa.
O fim de um ciclo: Mario Leão e a missão de recuperar a rentabilidade
Mario Leão está no Santander há mais de uma década. Ele assumiu como CEO em janeiro de 2022, sucedendo Sergio Rial, e pegou o banco num momento delicado. A inadimplência estava em alta e a rentabilidade, pressionada. Quem lembra do cenário pós-pandemia sabe que não foi fácil. Leão tinha a missão de virar o jogo e reconquistar a confiança do mercado.
E dá para dizer que ele fez a lição de casa. Sob sua gestão, o banco passou por uma reestruturação profunda. O retorno sobre o patrimônio (ROE), que chegou a flertar com os 10% em meados de 2023, voltou a 17,6% no último trimestre. A estratégia foi clara: dar prioridade para linhas de crédito mais rentáveis, como pequenas e médias empresas (PMEs) e alta renda, deixando de lado um pouco o varejo de baixa renda. O plano traçado pela matriz espanhola mira os 20% de ROE até 2028, e Leão deixa o navio encaminhado.
Nos bastidores, comenta-se que a saída não foi uma decisão repentina. Já no começo do ano, ele teria comunicado à cúpula do grupo a intenção de deixar o cargo por motivos pessoais. Aos 50 anos, o executivo já deu a letra: quer novos desafios e aplicar sua experiência em outras indústrias.
A escolha de Gilson Finkelsztain: por que ele?
Aí entra Gilson Finkelsztain. O nome dele já estava no radar do Santander há algum tempo. No ano passado, chegou a ser anunciado para o conselho de administração do banco, mas acabou desistindo para evitar conflitos com a B3. Dessa vez, a história é diferente. A matriz espanhola foi buscar quem conhece bem o mercado brasileiro e já tem passagem pela casa – Finkelsztain trabalhou na mesa de juros do Santander entre 2011 e 2013.
O próprio Mario Leão tratou de tranquilizar o time. Em um comunicado interno, ele deixou claro que o banco atingiu um nível de maturidade que permite uma sucessão estruturada. As palavras dele foram diretas:
- “Estou muito feliz com o ciclo que vivi aqui”, destacando as conquistas e o legado deixado;
- “Desejo muito sucesso ao Gilson”, afirmando que a transição será tranquila e a estratégia seguirá em frente;
- “O Brasil é um mercado de grandes oportunidades”, ecoando a confiança de quem conhece a força da operação local.
A presidente do Santander, Ana Botín, também se manifestou. Ela agradeceu Leão pelo “papel muito importante” na transformação do banco e disse estar “contente” em receber Finkelsztain de volta. “Sua experiência e reconhecimento no setor financeiro brasileiro o tornam bem qualificado para liderar a próxima fase de crescimento”, afirmou.
Quem é Gilson Finkelsztain?
Quem acompanha a B3 sabe que Finkelsztain não é qualquer um. Ele está no comando da Bolsa desde 2017, praticamente uma década no posto. Antes disso, passou por Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan, Citigroup e Cetip. Formado em engenharia civil pela PUC-Rio, ele tem uma trajetória sólida e chega ao Santander num momento em que o banco precisa equilibrar crescimento com rentabilidade em meio à concorrência feroz das fintechs.
O executivo já deixou claro qual será o foco: transformar a “base sólida” que encontrou em entregas relevantes para clientes, acionistas e sociedade. Não é um desafio pequeno, mas quem conhece sua passagem pela B3 sabe que ele não foge de uma boa briga.
E agora, o que esperar?
Até julho, Mario Leão segue no cargo para garantir a transição. Depois disso, Finkelsztain assume as rédeas do terceiro maior banco privado do país. A aposta do Santander é clara: um executivo de peso, que conhece o mercado de capitais brasileiro como poucos, para dar continuidade à estratégia de recuperação e abrir novas frentes de crescimento.
Quem tem conta, investimento ou negócios com o banco pode ficar tranquilo: a estratégia de crédito mais seletiva e rentável segue em curso. Agora, é esperar para ver como o novo capitão vai navegar em águas tão competitivas.