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Japão treme de novo: Do alerta do megaterremoto na Fossa de Nankai aos apps de alerta, o que você precisa saber sobre a nova cultura de prevenção a desastres

Internacional ✍️ 林桑 🕒 2026-03-26 14:40 🔥 Visualizações: 2

Infográfico sobre prevenção de desastres sísmicos no Japão

Aqueles apps de alerta de terremoto no Japão no seu celular não param de disparar ultimamente, né? Pra ser sincero, os grupos de amigos aqui em Tóquio estão num burburinho sem fim desde ontem à noite, todo mundo se perguntando "foi abalo agora há pouco?". As informações de bastidores que saíram logo em seguida apontaram o epicentro no mar de Kyushu. Embora a magnitude não tenha sido tão assustadora quanto se imaginava, a característica "extremamente rasa" fez com que o tremor fosse sentido com intensidade desde Kyushu até a região de Kansai. Como alguém que já passou mais de uma década por aqui, tenho que dizer: com essa frequência, fica realmente difícil não ficar com um pé atrás.

Não se apegue apenas a 2011; a "Fossa de Nankai" é o verdadeiro monstro à espreita?

Todo terremoto que acontece, a internet começa a se encher de previsões. Ultimamente, a que mais se ouve falar é a tal da "previsão de terremoto no Japão para 2025". Sinceramente, esse tipo de previsão surge com uma data diferente a cada poucos anos só para ganhar destaque, mas por que dessa vez até o comitê oficial de previsão sismológica convocou uma coletiva de imprensa? Porque o que preocupa eles não é uma "data profética" específica, mas sim a "Fossa de Nankai", que já está no radar dos cientistas há bastante tempo.

Vocês ainda se lembram da lição que o Grande Terremoto do Leste do Japão de 2011 (conhecido como 3/11) nos deixou? Naquele momento, foi um terremoto do tipo de falha submarina. E a Fossa de Nankai hoje é como uma mola que acumulou uma energia imensa. A avaliação do comitê não é para assustar ninguém, mas para nos mostrar, com dados, que há uma probabilidade de 70% a 80% de ocorrer um terremoto de magnitude entre 8 e 9 nos próximos 30 anos. Isso não é previsão mística; é uma probabilidade concreta, baseada na geologia. Então, em vez de viver na expectativa nervosa sobre qual dia vai tremer, é melhor encarar esse número como um aviso. É como quando a previsão do tempo diz "80% de chance de chuva amanhã", você prefere levar um guarda-chuva, certo?

Seu celular é o melhor aliado para se proteger

Falando nisso, sei que todo mundo deve estar se perguntando "o que posso fazer agora?". Na verdade, o que menos sai da mão das pessoas hoje em dia é o celular, e ele se tornou a ferramenta mais imediata para salvar vidas durante um terremoto.

Aposto que muitos de vocês têm mais de um app de alerta de terremoto no Japão instalados no celular, mas vocês realmente sabem usá-los? Além do susto na hora que a notificação chega, o mais importante é aprender a "ler" a mensagem. Estes pontos abaixo são fruto da experiência que adquiri ao longo dos anos com cada tremor:

  • Aprenda a ler a "Intensidade Sísmica Prevista": Quando o alerta é emitido, geralmente mostra primeiro uma "intensidade prevista". Se for de nível 3 ou inferior, você pode ficar um pouco mais tranquilo e apenas observar; mas se mostrar "5 forte" ou "6 fraco" ou mais, não pense duas vezes, procure abrigo imediatamente. Esqueça o celular.
  • Ative as permissões para "Notificações de Alerta de Emergência": Não são só os apps. Na verdade, o próprio sistema dos celulares vendidos no Brasil já possui mensagens de alerta de desastres integradas. Certifique-se de que essa função está ativada nas configurações do seu celular. Às vezes, a mensagem enviada pelo sistema é mais rápida e confiável do que qualquer app de terceiros.
  • Use a função de "Relatar" do app: Depois que o tremor passar, se você estiver bem, pode usar o app para relatar rapidamente a sua localização e o que sentiu. Esses retornos se tornam dados importantes que as entidades usam para corrigir as informações seguintes. É um pequeno gesto que pode ajudar muita gente.

Não deixe que o "conto do lobo" diminua a sua atenção

Pra ser sincero, para quem mora no Japão ou viaja frequentemente para cá, a sensação com terremotos é mais ou menos como os brasileiros com furacões: algo ao mesmo tempo familiar e que causa uma certa impotência. Mas o maior perigo é justamente "se acostumar com a situação". Quando os alertas sonoros disparam todos os dias, é inevitável que alguns comecem a pensar "já que dessa vez não deu em nada", e acabem relaxando.

Isso é o que chamamos de "viés da normalidade", e é um dos maiores erros na prevenção a desastres. Lembre-se: nós nunca conseguiremos prever com precisão quando será o próximo grande tremor, mas podemos controlar a nossa "resposta a cada um deles". Na próxima vez que o celular tocar, não fique só olhando as postagens nas redes sociais. Siga o protocolo mental: calma, proteja-se, firme-se. Não é nada difícil, mas em um momento crítico, essa reação de poucos segundos faz toda a diferença.