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Esperanza Aguirre volta à carga: culpa Rajoy pelo nascimento do Vox e acirra a guerra interna no PP

Política ✍️ Carlos Rodríguez 🕒 2026-03-30 09:04 🔥 Visualizações: 2
Esperanza Aguirre durante uma intervenção pública

Parece mentira, mas sempre que Esperanza Aguirre abre a boca, o Partido Popular treme. A que foi líder inconteste do PP em Madri e presidente da Comunidade decidiu, mais uma vez, abalar as estruturas do partido com declarações que não pouparam ninguém. E desta vez, o alvo não é apenas a sua pupila, Isabel Díaz Ayuso, mas aponta diretamente para o ex-presidente do governo, Mariano Rajoy. A guerra civil na direita espanhola não só não cessa, como se reacende com uma virulência inesperada.

“Rajoy nos levou ao abismo”: a origem do tsunami Vox

O que Aguirre soltou nas últimas horas é, no mínimo, um terremoto. Segundo fontes próximas à ex-presidente, seu diagnóstico é implacável: o surgimento e o subsequente sucesso do Vox não são fruto do acaso nem da genialidade de seus fundadores, mas sim de um vácuo de poder que, em suas palavras, foi deixado pela cúpula do PP liderada por Mariano Rajoy. “Se não tivesse havido um governo que se dedicou a apagar as marcas de identidade da centro-direita, outro não teria tido que ocupar esse espaço”, é o que ela vem dizendo nos bastidores políticos.

Para ela, a falta de firmeza de Rajoy durante seus anos no Palácio da Moncloa foi o caldo de cultivo perfeito. A sensação entre muitos eleitores de direita de que “não acontecia nada” diante dos desafios territoriais ou da gestão de certos assuntos fez com que parte do eleitorado procurasse um lar mais combativo. E é aí que Esperanza Aguirre semeia a polêmica: sem a gestão de Rajoy, o Vox simplesmente não existiria como o conhecemos hoje. É uma acusação direta, sem meias-palavras, que expõe a fratura interna que nunca foi totalmente cicatrizada.

  • Críticas a Rajoy: Aguirre o acusa de ter “dilapidado” o legado de Aznar e deixado órfãos os eleitores de direita.
  • O efeito Ayuso: Em meio a essa tempestade, a atual presidente de Madri sai fortalecida como a herdeira natural desse espírito mais beligerante.
  • O segredo de Feijóo: A ex-presidente revela que ela poderia ter sido o “freio” para o atual líder nacional, mas optou por um papel secundário.

A lealdade (e a facada) com Ayuso e o papel complexo de Feijóo

Em meio a essa ofensiva verbal, Aguirre também quis esclarecer sua posição em relação a Isabel Díaz Ayuso. Longe dos boatos que falam de um distanciamento frio, Aguirre garante que sua relação com a atual baronesa é de total cumplicidade. Mas o mais suculento veio quando ela falou sobre o líder nacional, Alberto Núñez Feijóo. Segundo confessou aos seus próximos, houve um momento em que ela mesma poderia ter se erguido como a principal alternativa à atual direção, mas decidiu não o fazer, permitindo assim que Feijóo consolidasse sua liderança sem uma competição interna feroz. “Eu poderia ter sido a que está aí, mas escolhi outro caminho”, teria dito, dando a entender que, se não fosse por essa decisão pessoal, a história do PP pós-Rajoy poderia ter sido muito diferente.

Essas revelações não são inocentes. Elas chegam em um momento em que o PP tenta mostrar unidade para os próximos ciclos eleitorais. Mas a sombra de Esperanza Aguirre é longa, e suas palavras ressoam com a força de quem foi, durante anos, a única voz que ousou desafiar o imobilismo da era Rajoy. Para muitos, sua análise sobre a origem do Vox é um alerta. Para outros, é simplesmente a confirmação de que a ex-presidente continua sendo a grande estrategista, movendo peças de bastidores para colocar os seus e ditar a agenda.

Ressurreição ou acerto de contas?

O que está claro é que a política espanhola, e especialmente o espaço da centro-direita, não pode tirar os olhos do que Aguirre diz. Suas últimas declarações não são um simples desabafo, mas um diagnóstico amargo do que ela considera um erro histórico. Ao atacar Rajoy, ela não só reivindica sua própria trajetória, mas também legitima a guinada radical que Ayuso e o Vox representam como uma resposta necessária, quase orgânica, a uma época que ela considera de “traição” aos princípios.

Enquanto Feijóo tenta navegar em meio a essas águas turbulentas, Esperanza Aguirre se coloca novamente no centro do furacão, demonstrando que sua voz, mesmo sem cargo institucional, continua sendo um dos termômetros mais confiáveis para medir a temperatura da guerra interna no PP. A narrativa está posta: Rajoy criou as condições para que nascesse um monstro que hoje devora votos à direita, e ela, junto com Ayuso, são as únicas que souberam ver isso e combatê-lo. O resto, como sempre, é história que continuará sendo escrita com declarações incendiárias.