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Milão-Sanremo 2026: A clássica das clássicas à sombra da expectativa olímpica

Esporte ✍️ Marco Gisin 🕒 2026-03-21 12:31 🔥 Visualizações: 2

Há poucos dias no ano em que, como fã de ciclismo, a gente já acorda com aquele friozinho na barriga. A primeira segunda-feira da temporada, o primeiro Monumento. A Milão-Sanremo 2026 está chegando, e sendo sincero, tenho a impressão de que o ar esta manhã está diferente. Mais salgado. Talvez seja a ansiedade pela Costa da Ligúria, ou talvez seja o clima especial que essa clássica de primavera exala em um ano de Olimpíadas.

Imagem dramática do pelotão na Milão-Sanremo

Quem larga neste sábado em Milão não está correndo apenas por uma vitória em uma das provas de um dia mais prestigiadas do mundo. Não, o pelotão vai praticamente passar pela sala de estar oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão Cortina 2026. A cidade já está tomada pela febre olímpica, os anéis estão pendurados nas fachadas, e a atmosfera é eletrizante. Mas os 300 quilômetros até Sanremo não se deixam intimidar por isso. A estrada, mais cedo ou mais tarde, pune qualquer arrogância, e é exatamente isso que torna essa prova tão especial, não é?

O percurso: Muito mais do que só o Poggio

Podemos passar horas discutindo sobre o Poggio, aquela subida final e decisiva que separa os sprinters clássicos dos especialistas em arrancadas. Mas quem só olha para o Poggio não entendeu a corrida. O que pesa são as longas e intermináveis horas antes, o vento no rosto, o ritmo dos ciclistas, o moinho psicológico que é a Corrida Masculina Milão-Sanremo 2026. Anos atrás, perguntei a um diretor esportivo qual era a parte mais difícil da Sanremo. A resposta dele? "A espera."

Os primeiros 200 quilômetros são uma viagem, não um sprint. É sobre economizar energia, comer na hora certa, beber e suportar o temido vento contrário nos "Capi", entre Voltri e Arenzano. Este ano, corre o boato de que a entrada em Sanremo foi revitalizada – provavelmente pensando nas imagens de TV durante os Jogos. Mas isso não muda a verdade: a corrida será decidida nos últimos três quilômetros, mesmo que a seleção muitas vezes aconteça já no Cipressa.

Os favoritos: Quem tem pernas para o longo caminho?

A lista de favoritos para a Milão-Sanremo Donne 2026 e para a prova masculina parece uma lista dos principais nomes do ciclismo internacional. No masculino, o cenário é claro: você precisa de uma arrancada explosiva para o Poggio, mas também da determinação para dar o golpe final depois de seis horas e meia no selim.

  • Mathieu van der Poel: O grande candidato ao título. Se ele controlar o Poggio com sua equipe Alpecin e atacar, será implacável. Sua curva de forma é boa, e a experiência joga a seu favor.
  • Tadej Pogačar: O versátil. Ele pode vencer aqui, mas talvez seja a prova que menos se adapta a ele. Longa demais, tática demais. Mas subestimar Pogačar é um grande erro. Se ele der o ataque decisivo no Poggio, para muitos estará tudo definido.
  • Os sprinters: Nomes como Mads Pedersen ou Jasper Philipsen apostam num sprint em grupo. Para eles, o grupo precisa permanecer unido no Poggio, o que este ano é improvável devido aos muitos especialistas em clássicas, mas não impossível.

O potencial de surpresa

Meu olhar, no entanto, se volta muitas vezes para os ciclistas que não estão sob os holofotes principais. Nos últimos anos, aprendemos que a Sanremo também é um palco para a "segunda linha" quando os grandes se observam demais. Um escapado de uma forte equipe italiana? Os pilotos locais vão dar tudo de si nesta temporada olímpica. Aposto numa forte atuação de um azarão que saiba aproveitar a oportunidade se os favoritos perderem muito tempo se preocupando com o posicionamento no quilômetro final.

Também é importante ficar de olho no tempo. Não se preocupe, não vou fingir que sou meteorologista, mas na região da Ligúria o tempo pode mudar em questão de horas. Chuva nos Capi? Aí a corrida vira uma loteria, um verdadeiro escorregador, onde experiência e disposição para o risco contam. É exatamente isso que adoro nessa prova: ela é tão imprevisível quanto a própria vida.

No final, o que importa é o momento em que o pelotão chega à Via Roma, em Sanremo. Os braços são erguidos para o céu, a euforia dos italianos vai até ofuscar a expectativa olímpica por um instante. A Milão-Sanremo 2026 é mais do que uma simples corrida de ciclismo – é o pontapé inicial emocional de um ano esportivo que pertence a esta cidade. Estarei sentado em frente à tela com um expresso na mão, apreciando cada ataque. Vocês também vão fazer o mesmo?