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Ataques do Irã aos Emirados: Fujairah na mira do fogo e a mensagem de "dissuasão silenciosa" das profundezas do mar

Golfo ✍️ خالد المنصوري 🕒 2026-03-15 05:03 🔥 Visualizações: 1

Pessoal do Golfo, o clima está tenso e as ruas dos Emirados vivem dias de notícias frenéticas, algo que não víamos após longos anos de calmaria e estabilidade. De Fujairah a Abu Dhabi, todos estão acompanhando o que aconteceu na manhã de sábado no Porto de Fujairah, onde as operações de carregamento de petróleo foram temporariamente suspensas após um ataque com drone que provocou um incêndio na zona industrial. É verdade que as defesas aéreas interceptaram o drone, mas foram os destroços que caíram que iniciaram o fogo, uma cena que chocou a muitos.

Fumaça subindo após ataque na região do Golfo

Emirados na Linha de Fogo: Um Ataque Sem Precedentes

O que está acontecendo não é apenas uma troca de mensagens à distância. Os Emirados, infelizmente, se tornaram o centro da equação. Nossa ministra Reem Al Hashimy descreveu os recentes ataques iranianos como "sem precedentes e praticamente descontrolados". São palavras fortes vindas de uma alta autoridade, como eu e você. Ela disse que o que vimos do Irã foi "um ataque contra aqueles que pediam uma desescalada da situação". Os Emirados receberam o maior número de drones e mísseis em comparação com qualquer outro país do Golfo, e até mais do que o próprio Israel. Isso não é papo furado, nós vivemos isso.

Os alvos não se limitaram a Fujairah. Dias antes, navios-tanque tailandeses e japoneses foram atacados na costa de Ras Al Khaimah e Dubai. E num sinal da expansão do conflito, o consulado dos Emirados em Erbil foi alvo de um ataque com drone, o que foi descrito pelo presidente Sheikh Mohammed bin Zayed, durante seus contatos com líderes mundiais, como uma "escalada perigosa". É notável que tudo isso esteja acontecendo enquanto Abu Dhabi estendia a mão para o diálogo e a diplomacia desde o primeiro momento.

Aviso Iraniano... e o Visado à Infraestrutura Civil

Numa virada perigosa e preocupante, Teerã emitiu um comunicado exigindo que cidadãos nos Emirados evacuassem portos e terminais, sob o pretexto de que eles "podem se tornar alvos legítimos" porque os EUA os estariam utilizando. Essa alegação é inaceitável em todos os sentidos. Os Emirados não fazem parte da guerra, seu território não é plataforma de lançamento de mísseis contra o Irã ou qualquer outro, e todos os seus vizinhos sabem disso. Mas, infelizmente, a infraestrutura civil dos Emirados está sendo visada, não apenas bases militares. O Porto de Fujairah, que dá para o Mar Arábico e o Golfo de Omã, é uma artéria vital para a economia local e global; paralisá-lo significa uma ameaça à segurança energética e ao sustento das pessoas.

Vejam a diferença: os EUA bombardearam a ilha iraniana de Kharg, o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. A reação do Irã foi atacar os portos de seus vizinhos, que não estavam envolvidos no conflito. É como se a mensagem fosse: "Se nossas exportações pararem, as exportações de todos vão parar". Mas essa lógica vai lhes custar caro, tanto árabe quanto internacionalmente. A Liga Árabe condenou veementemente o ataque ao porto omanense de Salalah, classificando-o como um "comportamento vergonhoso que beira crimes de guerra".

Mensagem das Profundezas: "Serviço Silencioso" e a Classe Ohio

Em meio a todo esse barulho, existe algo chamado de "dissuasão silenciosa". Uma das razões que levaram o Irã a responder com essa fúria cega contra os países do Golfo foi o golpe duro que sofreu em seu próprio território. Estou falando da operação "Martelo da Meia-Noite". Naquele dia, um submarino americano silencioso da classe Ohio, acredita-se que seja o "USS Georgia", lançou mais de 24 mísseis Tomahawk contra instalações iranianas em Isfahan, antes mesmo que qualquer aeronave se movesse.

Esses submarinos são chamados de "The Silent Service" (O Serviço Silencioso), e são realmente um terror no silêncio. Imagine uma coisa com 171 metros de comprimento, capaz de mergulhar a mais de 240 metros de profundidade, navegar a 25 nós, e praticamente impossível de ser detectado. A classe Ohio, que a Marinha dos EUA converteu em plataformas de lançamento de mísseis guiados (SSGN), pode carregar 154 mísseis Tomahawk em seu interior. Isso sem contar sua capacidade de desembarcar forças de operações especiais. É a mensagem que chega às mentes pensantes em Teerã: "Qualquer agressão contra os países vizinhos será seguida por uma resposta de um lugar que vocês não esperam".

  • Terror Silencioso: Submarinos Ohio são capazes de atacar a uma distância superior a 1600 quilômetros, sem qualquer aviso prévio.
  • Mensagem de Dissuasão: A presença desses submarinos na região significa que a resposta a qualquer escalada marítima iraniana (como o fechamento do estreito) será imediata e contundente.
  • Sinergia de Forças: O que aconteceu na operação "Midnight Hammer" não envolveu apenas submarinos; houve coordenação com bombardeiros B-2 que destruíram instalações nucleares subterrâneas com bombas de penetração de fortificações.

O Estreito de Ormuz e o Impacto em Nossas Vidas

O que me preocupa, e preocupa todo emiratense, é o impacto dessa escalada no nosso dia a dia. A ministra de Estado Reem Al Hashimy disse algo que abre os olhos: "O Estreito de Ormuz não é só petróleo, é a rota de tudo, desde óleo de cozinha até petroquímicos e produtos manufaturados". O Irã praticamente paralisou o tráfego no estreito desde o início de março, e isso afeta as cadeias de suprimentos globais e, consequentemente, os preços nas nossas lojas. Somos um país de serviços e logística, e visar essa artéria é atingir nossa economia diretamente.

Abu Dhabi está lidando com a situação com sangue frio e sabedoria. A liderança mantém contato constante com irmãos e amigos, da Jordânia à Austrália. E vi como Reem Al Hashimy afirmou que a parceria com os EUA "não se abala em momentos de crise, não nos intimidamos". Esse é o tipo de discurso que tranquiliza. Não provocamos, nem respondemos com loucura, mas não somos fracos. A presença do avião australiano "Wedgetail" conosco mostrou que a rede de relações internacionais está ao lado dos Emirados para proteger seu espaço aéreo.

Concluindo, pessoal, o Golfo está passando por uma virada perigosa, e os Emirados hoje provam ser uma rocha em meio às tempestades. Os ataques iranianos a Fujairah e aos nossos navios só nos fortalecerão e nos unirão mais. E das profundezas do mar, os submarinos silenciosos da classe Ohio dizem ao Irã: "Este Golfo não é lugar para aventuras".