A Grande Jogada de G. Sudhakaran: Ele Vai se Lançar Independente? CPM em Modo de Controle de Danos
O calor em Thiruvananthapuram não vem só do sol de março hoje. Ao meio-dia, a área ao redor da residência de G. Sudhakaran estava lotada — repórteres se acotovelando por um lugar, equipes de filmagem tropeçando nos cabos e trabalhadores do partido amontoados em rodinhas, com os olhos grudados nos celulares. Todo mundo se pergunta: o que ele vai anunciar às 16h? E, mais importante ainda, pra que lado ele vai pender?
Os bastidores contam que a noite passada teve uma reviravolta. Alguns líderes seniores do CPM foram discretamente até a casa dele. E corre por fora que não foi só um cafezinho informal — veio depois de um telefonema direto do próprio Pinarayi Vijayan. Ora, quando o Chefe de Ministro liga pessoalmente para um veterano líder da oposição, é sinal de que algo está fervendo. O burburinho é todo sobre Ambalappuzha. Se Sudhakaran decidir testar a sorte como independente naquela cadeira, toda a matemática política da região vai por água abaixo. A esquerda sabe disso, e o partido dele também.
Em Primeira Mão
Umas semanas atrás, eu vi uns trechos daquela conversa reveladora que ele teve com o T.M. Harshan — Acho que era a Parte 1. Ele não estava com papas na língua. Falou sobre se sentir preterido, sobre como a velha guarda não é mais valorizada. Na época, o pessoal relevou como sendo a frustração de um líder veterano. Mas vendo os acontecimentos das últimas 48 horas, fica claro que ele estava preparando o terreno. O homem não faz nada sem um plano. Quem acompanha a carreira dele sabe que ele está sempre alguns passos à frente.
Três Caminhos Possíveis
Com base no que os insiders da política vêm cochichando nas últimas horas, eis como isso pode se desenrolar:
- A Bomba da Candidatura Independente: Ele sai sozinho por Ambalappuzha. Esse é o cenário de pesadelo para o CPM. Ele abocanharia uma boa parte da base tradicional de votos deles e, numa disputa acirrada, isso poderia dar a cadeira de bandeja para o BJP. É exatamente o tipo de movimento que deixaria ambas as frentes suando frio.
- A Conciliação com o Partido: O campo dele (no partido) de repente se toca e oferece um acordo irrecusável — talvez uma indicação pro Rajya Sabha ou um cargo de peso em alguma autarquia. Se isso acontecer, a coletiva de hoje será mais sobre ele mostrar força enquanto mantém sua posição.
- O Jogo de Cena: Ele deixa todo mundo no suspense. Dá umas alfinetadas, expressa sua decepção, mas não chega a queimar os navios. Essa seria a jogada mais típica de Sudhakaran — manter o suspense, continuar sendo o centro das atenções e barganhar de uma posição de força.
Um motorista de auto-riquixá local chamado Babu, que transporta passageiros nesta área há trinta anos, resumiu bem: “O Raju chettan (é assim que chamamos ele) conhece o seu povo. Se ele sair, metade dos votos deste setor sai com ele. Matemática simples.” Esse é o tipo de realidade das bases que tira o sono dos estrategistas de ambos os lados. Eles não podem perder ele, mas também não podem tê-lo como inimigo.
O Veredito das 16h
Até o fim da tarde, o mapa político de Kerala pode estar um pouco diferente. Ou talvez seja mais do mesmo, com alguma encenação dramática. Mas de uma coisa eu sei, depois de décadas cobrindo esse cenário: quando um líder como G. Sudhakaran convoca uma coletiva com esse burburinho todo no ar, não é pra recitar o programa do partido. Ele tem algo a dizer. Se vai ser um adeus definitivo, um tiro de advertência ou um lance de mestre na negociação, vamos saber em algumas horas. Aposto uma garrafa de uísque bom que não vai ser monótono.