Por que a era Showa nos atrai hoje? Descubra a realidade daquela época através das cores, dos ventos e das ferrovias.
Já faz um bom tempo que entramos na era Reiwa, mas, curiosamente, as ruas estão cheias de lugares com aquele ar "retrô Showa", e até as gerações mais jovens se encantam por essa atmosfera. Há um fascínio mais profundo e detalhado aqui, que não se resume a uma simples nostalgia. Nesta edição, vamos tentar decifrar o clima daquela época através de quatro perspectivas: cores, ventos, ferrovias e os símbolos da era.
Reconstituindo as "cores" daquela época
Quando queremos mergulhar no universo da era Showa, o que primeiro nos chama a atenção são as cores características. Um vermelho-escuro intenso, um azul-índigo sóbrio, um tom de caqui que evoca nostalgia... Essas cores não são meramente antigas; elas são fruto de um cálculo preciso e de uma forte consciência estética. Ao folhear um certo caderno de cores publicado na época, percebemos como ele captura a sensibilidade das pessoas que viveram ali. As combinações de cores usadas em designs comerciais e utensílios domésticos são verdadeiras pérolas de sofisticação, que podem ser aplicadas na decoração e moda atuais. Observar esses materiais nos transmite o quão seriamente as pessoas daquela época se dedicavam às cores.
A memória inesquecível dos "ventos"
É claro que a era Showa não foi feita apenas de tons suaves. Gravada profundamente na memória das pessoas está a força implacável da natureza. O Tufão nº 20 de 1979 (Showa 54). Hoje em dia, é comum nomear os tufões com o ano da era, como o "Tufão de 2019 na Península de Bōsō" (Reiwa 1), mas este tufão de 1979, também chamado de "Segundo Tufão Muroto" na época, atingiu o arquipélago japonês com uma força tremenda.
Naquela época, eu morava em Osaka e me lembro de como a Ferrovia Elétrica Keihan ficou suspensa por um longo período, e as estações ficaram lotadas de pessoas que não conseguiam voltar para casa. A força do vento naquele momento e o som da chuva batendo nas janelas ainda estão vívidos na minha memória. Esse tufão, que deixou marcas tão profundas a ponto de mudar a paisagem da cidade em apenas uma noite, simbolizou o fim do período de alto crescimento econômico e um grande ponto de virada na conscientização sobre desastres. Para aqueles que viveram naquela época, a era Showa não é apenas "nostálgica", mas também uma lembrança real de uma época em que se convivia de perto com a força severa da natureza.
A "ferrovia" como paisagem que conecta cidade e pessoas
Então, o que transmite essas memórias reais até os dias de hoje? Um desses elementos é, sem dúvida, a ferrovia. Ao caminhar ao longo da linha da Ferrovia Elétrica Keihan, percebemos que ainda hoje restam fortes vestígios da era Showa. Especialmente os bondes que circulam em harmonia com a paisagem urbana de Kyoto, e as ruas comerciais pitorescas da região ao redor da Estação Hirakatashi, antes da reurbanização, parecem ter um fluxo de tempo mais lento.
A linha Keihan não era apenas um meio de transporte. As áreas residenciais e a cultura que floresceram ao longo de sua rota podem ser consideradas um ideal do planejamento urbano desde a era Taisho até a Showa. A emoção presente nos nomes dos trens expressos como "Biwako" ou "Sazanami", ou ainda o cheiro sutilmente diferente em cada plataforma e os tons de embarque distintos em cada estação. Em cada um desses detalhes reside a "textura" que as pessoas daquela época prezavam.
A "moldura da época" chamada Showa
Aqui, é inevitável mencionar a presença do Imperador Showa como um símbolo daquela época. Seu longo reinado de 64 anos foi o próprio Japão em meio a turbulências: guerra, reconstrução e o milagroso crescimento econômico. Em meio a uma "mudança tectônica" literal na vida e nos valores das pessoas antes e depois da guerra, o papel do Imperador como símbolo foi constantemente questionado.
Quando falamos da "era Showa" hoje, isso vai além do mero marco de um nome de era; é também confrontar uma questão fundamental: "Como os japoneses mudaram e o que eles preservaram?". O uso vibrante das cores, a natureza por vezes implacável e a ferrovia que continuou a sustentar a vida das pessoas. Todos esses elementos são fragmentos da resposta a essa questão.
- O fascínio do retrô Showa vai além da estética: Por trás dele estão a sensibilidade estética presente nos materiais de design daquela época e a história de recuperação após os desastres causados pelos tufões.
- A Ferrovia Elétrica Keihan é um patrimônio "vivo": É um tesouro de preservação dinâmica que, junto com a cultura ao longo de sua linha, transmite a paisagem da era Showa até os dias de hoje.
- Uma universalidade que transcende o nome da era: Através da era Showa, temos a oportunidade de repensar a identidade japonesa e a relação com a natureza.
A "resiliência" e a "sensibilidade" daquela época, que vão além da simples saudade. Quem sabe, para nós que vivemos na era Reiwa, as dicas para construir o futuro não estejam bem ali, ao lado, no passado recente.