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Dia da Mulher em Viena: Da Musa à Artista – Punho Colorido contra os Velhos Papéis de Gênero

Mulheres ✍️ Lena Hofbauer 🕒 2026-03-08 05:22 🔥 Visualizações: 2
Mulheres protestam no dia 8 de março em Viena

Quem passeia pelo centro de Viena neste sábado, logo percebe: os Punhos Coloridos brilhando em camisetas, cartazes e faixas. O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, tomou conta da cidade. Mas desta vez, tudo é um pouco diferente. As jovens que saem às ruas já não trazem flores no peito – elas vestem camisetas com frases de impacto, que vão direto ao ponto.

"Eu não sou a musa, eu sou a artista", lê-se em letras garrafais numa camiseta preta de verão, combinada com uma jaqueta jeans desbotada. Outra manifestante vestiu uma camiseta masculina com a frase em letras cursivas: "EU NÃO SOU A MUSA, EU SOU A ARTISTA | DIA DA MULHER 8 DE MARÇO". É como se alguém tivesse finalmente trazido para as ruas a frase que há alguns anos ecoa nas redes sociais. A mensagem é clara: Não somos mais as musas silenciosas nos bastidores que inspiram artistas – nós mesmas pegamos no pincel, no microfone, no spray.

A rua como passarela do protesto

O que acontece aqui em Viena é mais do que uma simples manifestação. É uma fusão de moda, política e cultura do dia a dia. As camisetas do 8 de março se transformaram em cartazes ambulantes. Elas mostram que o feminismo não precisa ficar confinado às salas de aula ou aos cafés feministas, mas é vivido na rua – confortável, versátil e 100% estiloso, como dizem em várias plataformas de venda. Ao lado do slogan da artista, vê-se repetidamente o Punho Colorido, um símbolo que há muito se tornou a marca de um movimento combativo e solidário. Ele representa a diversidade, a raiva, mas também a união. Um punho que não bate, mas que conecta.

O clima é tenso, mas não agressivo. Um grupo de mulheres mais velhas, com cabelos grisalhos trançados, mistura-se às jovens ativistas. Elas lembram que a luta não é nova. "Minha avó já foi às ruas em 1911 pelo direito das mulheres ao voto", grita uma delas para a multidão. E, de fato: o 8 de março tem suas raízes profundamente fincadas no movimento operário e nos protestos pacifistas do início do século XX. Hoje, com a guerra de volta à Europa, o dia ganha uma urgência ainda maior. Mulheres organizam comboios de ajuda, costuram coletes à prova de balas, protestam contra o rearmamento. Os lemas se unem: Paz e feminismo – dois lados da mesma moeda.

O que os lemas significam hoje

Se você prestar atenção ao que as pessoas gritam e leem nos seus cartazes, encontra uma mistura colorida de reivindicações antigas e novas:

  • "Igual salário para igual trabalho" – um clássico que não perdeu a atualidade.
  • "Meu corpo, minhas regras" – mais importante do que nunca em tempos em que os direitos reprodutivos voltam a ser atacados.
  • "Punho Colorido contra o discurso de ódio da direita" – uma declaração clara contra o avanço da direita na Europa.
  • "Eu não sou a musa, eu sou a artista" – o slogan que define a nova geração: autônoma, criativa, barulhenta.

Na camiseta de uma jovem sendo carregada nos ombros da amiga pela multidão, estampa-se um clássico motivo do "Dia Internacional da Mulher 8 de março". Ao lado, uma pequena barraca vende camisetas com a inscrição "Eu Não Sou A Musa Eu Sou A Artista" – de verão, gola redonda, 100% algodão, mas também 100% declaração de princípios. A vendedora sorri: "Está voando. As pessoas não querem mais só consumir, elas querem mostrar de que lado estão."

Claro, parte disso também é comércio. Não dá para negar. Mas quando milhares de pessoas à tarde tomam as ruas na Greve das Mulheres pela Mariahilfer Straße, quando apitam, batem tambores e erguem os punhos para o ar, sente-se: algo ferve por aqui. Não é apenas um costume simpático para dar flores às mulheres. É um dia em que o trabalho invisível se torna visível, em que a raiva contra a injustiça precisa vir à tona – e em que a alegria da comunidade prevalece.

No encerramento do ato na Heldenplatz, um velho sucesso é entoado mais uma vez: "Bella Ciao". Mas a letra foi adaptada. "Uma mulher livre jamais se curvará", ecoa pela praça. E de certa forma, isso se encaixa perfeitamente no 8 de março de 2024: A tradição vive, mas o tom está mais autoconfiante. A musa deixou o ateliê e agora está no meio da vida – com pincel, paleta e uma boa dose de raiva no peito.