Pirotecnia Tamarit brilha na mascletà de hoje nas Fallas de Valência 2026
Se há um momento em que o coração de Valência bate num só ritmo, é exatamente quando o relógio marca 14:00 na Praça da Prefeitura. E nesta segunda-feira, 16 de março, a batida teve a assinatura inconfundível da Pirotecnia Tamarit. Passei o dia todo com aquela expectativa, porque quando uma empresa com a tradição da Tamarit se posiciona no centro do tabuleiro das Fallas, você sabe que não vai deixar ninguém indiferente.
E como não deixou. Pontuais, como manda a tradição, os primeiros trovões começaram a ecoar. Mas o que muitos não esperavam era a personalidade que a Tamarit imprimiu na exibição. Não foi só barulho; foi uma conversa de 6 minutos entre o chão e o céu. 216 quilos de pólvora perfeitamente orquestrados que te agarravam por dentro e não te soltavam. O público, com os braços para o alto, marcando o ritmo, era um espetáculo à parte. Eu estava lá, colado na grade de sempre, e senti aquela vibração no peito que te lembra porque estas festas são únicas.
Uma sinfonia de 6 minutos que se fez eterna
O bom de conhecer o ofício é que a gente já intui quando uma mascletà é bem amarrada. A de hoje da Pirotecnia Tamarit teve o que os velhos aficionados chamam de "categoria". Começou com uma apresentação clássica, para ir aquecendo os motores, e quando o pessoal já estava entregue, chegou o terremoto final. Aquela parte em que o estrondo é tão compacto que parece que o asfalto respira. E exatamente quando você acha que não aguenta mais, o silêncio. Aquele silêncio rompido pelos aplausos e os "valenciaaa!" que arrepiam a pele. Não me digam que não é o melhor som do mundo. Comentava-se entre os mais entendidos que a mistura de hoje era daquelas que fazem história, e como fizeram.
- Duração: 6 minutos exatos de tirar o fôlego.
- Pólvora: 216 quilos de mistura artesanal.
- Sensação: Um terremoto seco e vibrante ao mesmo tempo.
- Momento chave: O terremoto final, que levantou o público dos assentos.
A arte da Pirotecnia Tamarit, um clássico das Fallas
Para nós que passamos a vida ligados à pólvora, nomes como Tamarit são sinônimo de garantia. Não é a primeira vez que os vemos no balcão da Prefeitura, e tomara que não seja a última. Eles têm o dom de entender o ritmo da praça, de saber quando apertar e quando dar um respiro. A mascletà de hoje não foi só um presente para os ouvidos, mas também uma homenagem à tradição. Porque numas Fallas onde às vezes tudo corre muito depressa, uma pirotecnia nos lembrar do valor do ritmo e do silêncio é quase um ato de rebeldia bem compreendida.
E agora, com esta adrenalina, é hora de pensar no que vem pela frente. Ainda temos dias intensos pela frente, com a Ofrenda à Virgem e a Cremà de domingo. Mas o de hoje, o da Pirotecnia Tamarit, vai ficar na memória de quem teve a sorte de viver ao vivo. Para quem não pôde vir, saiba que neste 16 de março Valência tremeu, e tremeu com gosto. Nos vemos amanhã às duas, que a festa não para.