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Praça Gwanghwamun, 'abertura à iniciativa privada' após 20 anos... Por que a governança falhou?

Negócios ✍️ 박정훈 🕒 2026-03-04 06:34 🔥 Visualizações: 4
Vista da renovada Praça Gwanghwamun

Em março de 2026, a Praça Gwanghwamun, no coração de Seul, voltou para perto dos cidadãos após mais uma grande transformação. À primeira vista, pode parecer uma simples reforma, mas esta reabertura carrega uma história muito mais complexa sob a superfície. Não se trata apenas de trocar bancos e paisagismo. É o resultado de uma solução própria da cidade de Seul para uma questão fundamental levantada incessantemente nos últimos 20 anos: 'Por que a governança falhou?'.

Na verdade, desde sua origem, a Praça Gwanghwamun carregava o dilema da 'desconexão entre planejamento e operação'. Apesar de seu grande simbolismo, o projeto sobre quem, como e para que fim assumiria a responsabilidade por este espaço sempre foi vago. O resultado foi desastroso. A cada novo governo, a Praça Gwanghwamun se degenerava num 'palco de performances' para exibir suas vontades políticas, e os cidadãos não passavam de figurantes nesse enorme espetáculo político. Não é por acaso que, numa pesquisa de 'satisfação de uso da praça' divulgada em janeiro passado por uma organização cívica, a 'dificuldade de acesso devido a comícios políticos' foi apontada como a maior causa de insatisfação.

A praça dos cidadãos, mas de quem é a praça?

A palavra-chave central desta reabertura é, sem dúvida, a 'reorganização completa da governança operacional'. A Prefeitura de Seul lançou mão de uma cartada ousada: abrir à iniciativa privada grande parte da autoridade de planejamento e operação antes monopolizada pelo setor público. Não se trata meramente de aumentar as instalações comerciais. A ideia é que uma operadora privada com experiência planeje o espaço com uma visão de longo prazo, preencha-o com conteúdo e seja responsável pela manutenção geral. Isto nada mais é do que o reconhecimento do fracasso gerado pela lógica administrativa uniforme do 'governo' nos últimos 20 anos e uma declaração de que buscarão a ajuda das 'mãos privadas', mais flexíveis e criativas.

Aprendendo com 20 anos de fracasso: 'Por que a governança falhou'

Testemunhamos inúmeros conflitos em torno da Praça Gwanghwamun nas últimas duas décadas. Por que isso se repetiu? De acordo com minha análise, as causas do fracasso podem ser resumidas em três grandes fatores.

  • Falha na separação entre posse e operação: Por ser um espaço simbólico nacional, a Praça Gwanghwamun envolvia partes interessadas demais, como a Agência Nacional de Polícia, o distrito de Jongno-gu e a Prefeitura de Seul. Era a 'tragédia dos bens comuns' em ação, onde ninguém assumia a responsabilidade de fato.
  • Falta de especialização: Sob o sistema de rodízio de funcionários públicos, era impossível estabelecer um plano diretor de longo prazo de 5 ou 10 anos. A prioridade máxima era 'zero acidentes' e 'zero reclamações', em vez de expertise cultural ou artística.
  • Instrumentalização política: A cada mudança de governo, a reforma da Praça Gwanghwamun era apresentada como um projeto nacional que refletia a 'filosofia de governo' vigente. Desde as vigílias com velas de 2016 até o cenário do impeachment em 2024, a praça oscilou entre espaço de resistência popular e ponto de encontro de conservadores, maximizando apenas o 'desgaste político'.

Em particular, o episódio no final de 2024, quando o presidente da Assembleia Nacional, Woo Won-shik, teve sua coletiva de imprensa frustrada na Praça Gwanghwamun, é um exemplo claro de como a ausência de governança pode criar situações absurdas. A 'ocupação da praça' por certas forças, flertando com os limites da legalidade, neutralizou o poder público e, no fim, a praça se tornou 'um espaço onde ninguém era livre'. Este é exatamente o ponto que mais dói de cabeça na Prefeitura de Seul. Por mais belas que sejam as instalações, o maior desafio deste projeto é como transformar essa 'politicidade incontrolável' numa 'cotidianidade' neutra.

A Praça Gwanghwamun sob a ótica dos negócios

Agora, é hora de olhar para esta história não como mero planejamento urbano, mas com os olhos dos 'negócios'. A entrada de uma operadora privada significa que a Praça Gwanghwamun renasceu como um 'ativo que precisa gerar lucro'. Indo além da simples economia com custos de manutenção, a principal tarefa agora é criar sinergia com o comércio local da região.

O setor já está agitado com esta decisão. A área de Gwanghwamun é um 'centro de escritórios e cultura', abrigando a Kyobo Bookstore, o Centro de Artes Sejong e inúmeras sedes de grandes empresas. Se a isso for adicionado um 'espaço público premium' operado 365 dias por ano, o efeito multiplicador será imenso. Circulam notícias de que marcas globais de luxo já estão numa competição acirrada para abrir lojas conceito nas proximidades da Praça Gwanghwamun. Isso porque o marketing que utiliza o 'simbolismo' e o 'tráfego' da praça garante, por si só, um enorme efeito publicitário.

A questão é como equilibrar 'publicidade' e 'lucratividade'. A comercialização excessiva atrairá reações negativas por 'descaracterizar a identidade da praça', enquanto uma operação excessivamente conservadora se tornará um bumerangue de 'prejuízo' para o operador privado. O sucesso neste equilíbrio delicado dependerá, em última análise, da capacidade da operadora. Mais do que simplesmente instalar cafés ou lojas pop-up, o segredo será quantos 'conteúdos matadores', que combinem a historicidade de Gwanghwamun com um toque moderno, eles conseguirem planejar.

Em suma, a transformação da Praça Gwanghwamun após 20 anos não é uma simples reforma de parque. É um experimento para resolver a 'governança pública fracassada' através da 'lógica do mercado'. Se este experimento será bem-sucedido ou se enfrentará outro tipo de fracasso, será dito pela expressão dos cidadãos que visitarem a praça daqui a 1 ano, ou talvez 5 anos. Uma coisa é certa: este turbilhão de mudanças no centro de Seul irá além da mera melhoria estética urbana, traçando um novo mapa de oportunidades em todo o setor imobiliário, varejo e indústria de conteúdo cultural. E eu já estou atento para ver que movimentos serão detectados neste mapa.