ARCOmadrid 2026: arte latino-americano e uma floresta de obras conquistam a feira com recorde de visitantes
A 45ª edição da ARCOmadrid baixou as cortinas neste fim de semana com um número que fala por si só: mais de 95 mil pessoas passaram pelo IFEMA para mergulhar no que há de mais novo na arte contemporânea. A marca não só confirma a excelente saúde da feira, como também consolida uma virada que já estava nos planos: o talento da América Latina está roubando a cena do velho continente. E olha que neste ano o local se transformou em uma autêntica floresta de obras onde as árvores, literalmente, eram as protagonistas.
Uma floresta dentro da feira: quando a natureza vira arte
Caminhar pela ARCO este ano era como se perder em um arco-íris de texturas e discursos ecológicos. A curadoria apostou forte em peças que refletem sobre a paisagem e nossa relação com ela, e o resultado foi uma galeria ao ar livre — ou quase — onde instalações de galhos, troncos e folhas disputavam a atenção do público. Vários artistas mexicanos e colombianos apresentaram obras que funcionavam como pequenos ecossistemas: desde um arco feito de raízes entrelaçadas até uma sala imersiva que reproduzia o som da selva amazônica. A natureza não era só tema, era matéria-prima.
América Latina arrasa: identidade, cor e crítica social
Se algo ficou claro nesta edição é que os artistas latino-americanos estão vivendo um momento doce. Suas propostas, carregadas de uma mistura única de tradição e denúncia, lotaram os pavilhões principais. A representação da região foi tão potente que vários colecionadores europeus confessaram, entre taças de vinho, que vieram exclusivamente para buscar peças dos nossos países. Entre os mais comentados: uma série de tecidos bordados que narram a migração centro-americana e uma escultura monumental que evocava um arco-íris feito com fios de algodão peruano. Um verdadeiro aceno à diversidade que nos define.
Do doce Arcor ao mangá: o arco como fio condutor
O curioso desta edição foi como a palavra arco apareceu em contextos inesperados. Por um lado, na área de alimentação, a argentina Arcor montou uma pequena instalação pop que celebrava seus clássicos caramelos, e muitos visitantes não resistiram à nostalgia: "tem gosto da minha infância", ouvia-se pelos corredores. Por outro lado, os mais jovens celebraram o anúncio do filme Chainsaw Man: Arco de Reze, cujo pôster promocional entrou em algumas conversas de colecionadores que também são fãs de anime. O 'arco' como estrutura narrativa encontrou seu reflexo na feira: cada galeria era um capítulo, cada obra um quadro desta história coletiva chamada ARCOmadrid.
O que ninguém deveria perder na ARCO 2026
- A floresta da discórdia: A instalação central, com mais de 50 árvores vivas trazidas de diferentes partes da Espanha, gerou debate sobre a pegada ecológica das exposições. Amor e ódio em partes iguais.
- A sala de realidade virtual: Vários artistas brasileiros apresentaram peças em VR que te mergulham nas favelas do Rio e nas paisagens do Cerrado. Uma experiência que explodiu a cabeça de muita gente.
- A homenagem às avós: Uma coletiva de artistas argentinas que bordaram toalhas de mesa com frases da ditadura, num emocionante cruzamento entre memória e têxtil.
- O cantinho da Arcor: Fora de catálogo, mas um verdadeiro sucesso: uma máquina de doces vintage onde você trocava seu ingresso por um punhado de caramelos. Pura estratégia de marketing, mas funcionou.
Mais que uma feira, um termômetro cultural
Com 95 mil almas percorrendo seus corredores, a ARCOmadrid demonstra que a arte não é um luxo para poucos, mas um espelho onde nos olhamos como sociedade. A presença latino-americana, o grito ecológico das obras e essas pequenas conexões com a cultura pop (sim, até com Chainsaw Man) deixam claro que o arco que este evento estende não é apenas geográfico, mas geracional. A 45ª edição já é história e nos deixa com vontade de mais. Por enquanto, é esperar pelo próximo capítulo.