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Adeus, celulares sem graça! Olá, dobráveis extremos e robôs que te seguem até em casa

Tecnologia ✍️ Javier Molina 🕒 2026-03-02 04:25 🔥 Visualizações: 8
Panorâmica do MWC 2026 em Barcelona com participantes testando novos dispositivos

Na semana passada, Barcelona voltou a ser a capital do universo da tecnologia. E não, não estou falando do torneio de basquete da Mountain West Conference, que também tem seu valor, mas estamos no Mobile World Congress. Para quem chegou aqui procurando por Moco (talvez um erro de ditado por voz), não há vírus sazonais, e sim a vacina contra o tédio tecnológico. O MWC 2026 fechou as portas deixando uma sensação clara: a inovação deixou de ser incremental para se tornar radical.

Cubro esta feira desde os tempos do MWC22, quando ainda estávamos com restrições e máscaras. Aquele foi um evento de transição, de promessas. Mas este ano, o negócio foi de realizações. Circular pelos pavilhões da Gran Via era como espiar uma vitrine de 2030. E não só pelos celulares, que existem e são bem loucos, mas pela forma como as marcas estão redefinindo o que significa "dispositivo móvel".

Dos dobráveis em formato de livro aos consoles que se dobram

Só estaria cego quem não visse: o formato dobrável deixou de ser raridade para se tornar o principal campo de batalha. Se há alguns anos todos copiavam o design de concha da Samsung, agora a guerra é sobre quem ousa mais. E a Lenovo levou o prêmio de mais arriscada. Seu novo conceito de console portátil dobrável é uma verdadeira loucura: um portátil que, quando aberto, vira uma tela de quase 9 polegadas sem aumentar o tamanho no bolso. Os caras que cresceram com o Game Boy ficam de queixo caído, e eu também.

  • Lenovo ThinkPad X1 Fold (Gen 3): A fera dos dobráveis para produtividade. Tela OLED de 16 polegadas que se dobra em formato de livro. Perfeito para levar o escritório nas costas sem abrir mão do estilo geek.
  • Honor Magic V3: Mais fino, mais leve, mais rápido. A Honor entendeu que design importa, mas a resistência também. Este ano, integram uma dobradiça de titânio líquido que promete durar mais que muitos relacionamentos modernos.
  • Xiaomi Mix Fold 4: A aposta chinesa pela câmera sob a tela no painel interno. Sim, ainda dá pra notar um fantasma dos pixels, mas para videochamadas é impressionantemente fluido.

Quando o celular te segue como um cachorrinho

Mas a joia da coroa, o que realmente gerou comentários nas varandas de Port Vell, foi o protótipo da Honor que alguns já apelidaram de celular robô. Não é um conceito novo, mas a execução é impressionante. Imagine um celular com um pequeno módulo robótico acoplado (ou integrado) que permite que ele se mova sobre uma mesa, te siga com a câmera enquanto você anda ou até interaja fisicamente com pequenos objetos. Internamente, chamam de "AI Companion", mas nos corredores se ouvia mais o apelido de Moco, por ser tão "grudento". E olha, não é um brinquedo: a capacidade de processamento de movimento autônomo abre portas para usos médicos (levar o celular a um paciente acamado) ou de segurança (o celular te gravar de outro ângulo enquanto você fala).

Isso nos leva ao verdadeiro eixo deste MWC 2026: a inteligência artificial deixou de ser um aplicativo para se tornar o sistema operacional. Os celulares não esperam mais você dar ordens; eles te observam, aprendem com você e agem. Assistentes que negociam compromissos por você, edição de fotos generativa em tempo real (sem passar pela nuvem) e traduções simultâneas que quase não consomem bateria. O Qualcomm Snapdragon 8 Gen 4 e os novos MediaTek Dimensity 9400 foram feitos para isso, para rodar modelos de linguagem enormes diretamente no chip.

E como isso nos afeta aqui no Brasil?

Como analista que vive e trabalha aqui, sempre me pergunto qual parte desse bolo nos cabe. E a resposta é: uma boa parte, se soubermos jogar nossas cartas. Barcelona não é só a anfitriã; é um hub de startups de deep tech. Este ano, vi mais investidores americanos e asiáticos no 4YFN (o salão paralelo para empreendedores) do que nunca. Eles buscam talentos em visão computacional, robótica suave e software embarcado. Operadoras como a Vivo (Telefónica) têm um filão: a computação de borda (edge computing) combinada com esses dispositivos autônomos exige redes ultrarrápidas e de baixa latência. O 5G já não é suficiente; fala-se abertamente em testar o 6G em ambientes controlados até 2028.

Também é a hora de os desenvolvedores locais embarcarem nessa. Criar experiências para uma tela que dobra ou para um dispositivo que se mexe sozinho requer uma nova gramática. Os apps planos estão mortos. O que vem por aí é a computação espacial e tangível. E acreditem, não é ficção científica; eu toquei no estande da Xiaomi e vi funcionando no Android.

Minha aposta para o próximo ano

Se o MWC22 foi o do ressurgimento, e é o da consolidação da loucura dobrável e robótica, o ano que vem será o do desaparecimento definitivo da porta física. Vi protótipos de carregamento por ultrassom à distância e transferência de dados a 100 Gbps por luz infravermelha. Quando isso chegar ao grande público, vamos nos perguntar por que carregamos fios por tanto tempo.

Por fim, um recado para os distraídos: se estavam procurando resultados da Mountain West Conference de basquete, desculpe, aqui só falamos de tecnologia. Mas se a sua praia é ver como um celular pode se tornar seu melhor amigo (ou seu console de confiança), o Mobile World Congress de Barcelona mostrou mais uma vez que o futuro, por mais louco que pareça, já chegou. E vem com tela dobrável e rodinhas.