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Laufey, o tecido de um ícone: do palco do Grammy à moda escandinava

Cultura ✍️ Jean-Sébastien Moreau 🕒 2026-03-02 21:15 🔥 Visualizações: 4

Há momentos na televisão que ficam gravados, não pela perfeição, mas pela sua humanidade. Lembro-me daquela imagem da Laufey no último Grammy, dividindo o palco com o lendário Billy Joel. Ao tentar domar seu violoncelo, o instrumento começa a escorregar – um verdadeiro frio na espinha para qualquer músico. Ela o segura, continua tocando, mas no seu olhar, lê-se a pequena confissão: "Acho que fingi, mas não soou lá muito bem." Esse tropeço, longe de ser um desastre, concentrou a atenção nesta artista islandesa. E desde então, seu nome só tem subido nas tendências, indo muito além dos círculos do jazz.

Retrato de Laufey

Uma musicista na pele de um ícone da moda

O que impressiona em Laufey é essa capacidade de tecer laços entre universos que pensávamos serem estanques. De um lado, uma formação clássica, uma herança nórdica, uma voz que lembra as grandes cantoras dos anos 1940. Do outro, uma geração Z que a adora no TikTok e que segue seus looks à risca. Esse DNA duplo, as marcas o perceberam muito antes dos holofotes do Grammy. A recente colaboração com a gigante islandesa do vestuário técnico 66 North não é um mero golpe de marketing: é um encontro entre duas visões de mundo. A funcionalidade rude, pensada para as tempestades de Reiquiavique, unindo-se à doçura sonhadora de uma artista globalizada.

A febre do guarda-roupa-cápsula islandês

Quando vi as primeiras imagens da coleção Laufey para a 66 North, imediatamente pensei naqueles guarda-roupas que queremos atemporais. Parkas oversized nas cores da lava, suéteres de lã merino com a marca discreta das paisagens vulcânicas. As conversas nos bastidores da moda escandinava já confirmam: há aqui uma autenticidade que muitas vezes falta nas colaborações entre estrelas e grifes de outdoor. Não se vende aqui uma simples logo, conta-se uma história: a de uma filha da Islândia que cresceu com esses casacos como armadura contra o frio, e que hoje os reinterpreta para os palcos do mundo inteiro.

  • A autenticidade acima de tudo: Cada peça traz a assinatura de Laufey, do corte aos recortes inspirados em suas partituras.
  • A aposta no "made in North": Uma fabricação que se mantém fiel à herança técnica da 66 North, com materiais de origem local sempre que possível.
  • O "efeito Grammy malfunction": Ironicamente, foi talvez esse momento de vulnerabilidade musical que acelerou o entusiasmo pela linha de moda. A prova de que a falha pode se transformar em força.

Por que as marcas francesas deveriam observá-la de perto

Nós, na França, amamos artistas que têm a cabeça bem feita e um guarda-roupa bem pensado. Laufey incorpora essa nova onda de embaixadoras culturais. Ela não se contenta em emprestar sua imagem, ela cocria, ela infunde uma alma. Imagine-a um dia criando uma linha para uma maison de prêt-à-porter parisiense: a mistura de estilos seria explosiva. Até porque seu público francês cresce a olhos vistos, seduzido por esse jazz tingido de melancolia nórdica e esse estilo de vestuário ao mesmo tempo prático e poético.

Enquanto isso, a coleção-cápsula com a 66 North está esgotando. E eu não consigo parar de pensar naquela imagem do Grammy: a de uma jovem que transforma um incidente técnico em uma assinatura de estilo. Laufey não apenas veste roupas ou toca notas; ela personifica um jeito de estar no mundo, ao mesmo tempo frágil e resolutamente moderna. É exatamente o tipo de narrativa que o mercado mais deseja hoje em dia.

Jean-Sébastien Moreau é editor associado do polo Cultura & Tendências, e acompanha os novos imaginários nórdicos há mais de quinze anos.