Sicario: Do mito do assassino de aluguel ao mundo brutal da realidade
Há algo na palavra sicario que simplesmente gruda na gente. Traduzindo direto do espanhol, significa "assassino de aluguel", mas no mundo real – e no cinema – ela representa algo muito mais complexo. É a sombra que opera na terra de ninguém entre a lei e a anarquia. Neste exato momento, estamos vendo um enorme ressurgimento do interesse por esse fenômeno. De um lado, Sicario 2: Soldado está bombando de novo nas telas da TV, e do outro, somos lembrados de que, infelizmente, assassinatos encomendados não são coisa só de Hollywood. Na verdade, as histórias reais estão mais próximas do que a maioria de nós imagina.
Soldado arrasa nas telas – e Capos está a caminho
Se você assistiu TV recentemente, provavelmente notou que Sicario 2: Soldado está sendo reprisado. Aquele filme de 2018, dirigido por Stefano Sollima, deu uma guinada e abandonou a bússola moral do primeiro filme (adeus, Kate Macer, da Emily Blunt) para mergulhar de cabeça na lama com o Alejandro de Benicio Del Toro e o gelado Matt Graver de Josh Brolin. É uma parada pesada, onde os limites entre agente e assassino já foram apagados há muito tempo. E para nós, que não nos cansamos desse universo, temos boas notícias: segundo fontes próximas à produção, o produtor Basil Iwanyk confirmou que Sicario 3 ainda está em desenvolvimento. O título de trabalho seria Sicario: Capos (ou seja, "Chefões" ou "Mandachuvas"), e a ideia é tão foda que eles só estavam esperando o momento certo para finalizar o roteiro. Del Toro está de volta como o enigmático Alejandro – um personagem que a gente simplesmente não se cansa de ver. Os boatos estão a mil, e há conversas de que tanto Brolin quanto Blunt também estariam prontos para retomar seus papéis, se tudo se encaixar.
- Sicario: Terra de Ninguém (2015): A obra-prima de Denis Villeneuve, que nos apresenta ao pesadelo da agente Kate Macer.
- Sicario 2: Soldado (2018): A guerra escala, e Alejandro é enviado em uma missão impossível.
- Sicario: Capos (2026/2027?): O vindouro terceiro filme, que deve nos levar de volta à linha de frente.
Mais que cinema: Quando o assassino de aluguel chegou à Dinamarca
Mas a palavra sicario não ressoa apenas nas telonas. Não precisamos ir muito longe, chegando à nossa própria capital, para encontrar histórias que poderiam ter sido escritas por Taylor Sheridan. Outro dia, saiu a notícia de que um líder de gangue de 34 anos foi indiciado por ter encomendado um assassinato em Christiania, lá em 2021. Um jovem inocente de 22 anos foi morto porque estava sentado na cadeira errada. Não era para ele, mas a realidade é implacável. De acordo com informações que vieram à tona durante a investigação, a rede criminosa Casablanca contratou pistoleiros suecos para fazer o trabalho sujo. É um realismo duro na veia, que rivaliza com as narrativas fictícias mais sombrias.
No mesmo dia, soubemos que um norueguês de 36 anos foi condenado a 13 anos de prisão por atuar como assassino de aluguel na Dinamarca. Ele foi contratado por mandantes ocultos para realizar um serviço que, felizmente, deu errado. Isso mostra que o fenômeno do American Sicario (também título de um filme recente com Danny Trejo, que conta a história do primeiro narcotraficante nascido nos EUA a operar no México) não é coisa só do novo mundo. A sombra do assassino de aluguel se projeta longe, alcançando até as esquinas dinamarquesas.
O que torna um bom universo Sicario tão assustador é exatamente essa mistura. Vemos a ficção se desenrolar com novos filmes a caminho, enquanto podemos, ao mesmo tempo, abrir um jornal dinamarquês e ler sobre uma acusação contra um assassino de aluguel no Tribunal da Cidade de Copenhague. É como se a fronteira entre o mundo que vemos na tela e o mundo em que vivemos se tornasse cada vez mais porosa. E é exatamente por isso que continuamos fascinados – porque sentimos que, bem abaixo da superfície, ferve a mesma escuridão em que Alejandro navega.
Então, da próxima vez que você vir Soldado passando na tela, ou estiver ansioso para Capos chegar aos cinemas, lembre-se: assassinos de aluguel não são apenas coisa de filme. Eles são parte da nossa realidade, e as histórias tanto do México quanto do bairro de Nørrebro mostram que o fenômeno sicario está mais atual do que nunca.