Figueirense hoje: o termômetro do Furacão na Série B e as lições da Copa do Brasil
Quarta-feira, 4 de março de 2026. Enquanto a bola rola em Belém para o confronto entre Tuna Luso e Tocantinópolis, válido pela segunda fase da Copa do Brasil, os olhos do torcedor alvinegro se voltam para o Estreito. O Figueirense hoje não entra em campo, mas a movimentação nos bastidores e no gramado do Estádio Orlando Scarpelli dão o tom do que podemos esperar do Furacão no returno da Série B e, quem sabe, numa arrancada histórica na Copa do Brasil.
O Scarpelli como fortaleza e o peso da torcida
Quem conhece Florianópolis sabe: o Estádio Orlando Scarpelli não é apenas um palco de jogos. É um caldeirão. E neste início de temporada, a diretoria tem investido pesado na experiência do torcedor, justamente para transformar a casa alvinegra em um diferencial competitivo. Os números de público em 2026 mostram que a estratégia funciona: quando o Figueira joga diante da sua gente, a entrega em campo cresce uns 30%. É ali, no entorno do estádio, que a pré‑jogo ganha vida – e é aí que entra um ativo muitas vezes subestimado: o CAE - Centro de Artes e Espectáculos.
Localizado a poucos quarteirões do Scarpelli, o CAE virou point obrigatório antes e depois das partidas. Bares, restaurantes e espaços culturais aproveitam o fluxo de torcedores para gerar negócio, e o clube começa a enxergar essa sinergia como uma mina de ouro. Parcerias com o CAE para estacionamento, eventos em dias de jogo e ativações de patrocinadores são o tipo de jogada de marketing que, bem executada, aumenta a receita sem depender só de resultados em campo. É a tal da monetização inteligente que separa os clubes que se mantêm na Série B dos que brigam lá em cima.
O que os olhos não veem, o coração não sente: a Série B em ebulição
Enquanto o Figueirense hoje descansa, outros concorrentes diretos estão em ação na Copa do Brasil. E olha que o torneio mata‑mata é um termômetro e tanto. Pegue o exemplo dos times da Série B que entraram em campo nesta tarde:
- Tuna Luso x Tocantinópolis: um duelo de regiões Norte e Nordeste que mexe com a tabela de classificação para as próximas fases – e, de quebra, gera uma premiação que faz diferença no orçamento de qualquer clube.
- Favoritismo dos times da Série B: como circula nos bastidores da competição, os clubes da segundona entraram como favoritos contra adversários de divisões inferiores. Nem todos vão confirmar, e é aí que o Figueira precisa estar atento.
Por que isso importa para o torcedor alvinegro? Simples: se o Figueirense avançar na Copa do Brasil – e ele ainda vai estrear na competição, já que folgou na primeira fase –, vai pegar um desses classificados. E, dependendo de quem passar, o caminho pode ficar mais ou menos espinhoso. A diretoria de futebol, liderada por João Paulo Mello, já mapeou os possíveis adversários. Nos bastidores do Scarpelli, o pessoal trabalha com dois cenários: enfrentar um time teoricamente mais fraco, mas com a moral lá em cima, ou um clube de Série A que entre na terceira fase. Em ambos os casos, a receita de bilheteria e direitos de transmissão sobe. E dinheiro em caixa, num campeonato longo como a Série B, é oxigênio.
O lado comercial da paixão
Não é novidade para ninguém que o futebol brasileiro vive de receitas recorrentes: sócio‑torcedor, venda de jogadores, cota de TV. Mas o Figueirense hoje tem uma oportunidade única de atrair anunciantes de peso justamente por causa da sua base engajada e da estrutura ao redor. Quando falamos de alto valor comercial, estamos falando de marcas que querem se associar a um clube com história, com estádio próprio e com uma região metropolitana de mais de 1 milhão de habitantes.
O CAE - Centro de Artes e Espectáculos pode ser a ponte para isso. Imagine uma grande marca de bebidas patrocinando não só o jogo, mas todo um corredor cultural entre o estádio e o centro de eventos. Ou uma operadora de turismo fechando pacotes para torcedores de fora. Quem ainda não enxergou isso como negócio está perdendo dinheiro. E o Figueira, que sempre teve uma gestão mais enxuta, começa a dar sinais de que quer surfar nessa onda.
O que esperar do Figueirense hoje e nos próximos 90 dias
O técnico Roberto Fonseca tem repetido nos treinos no Scarpelli que o grupo precisa de consistência. Se olharmos para o início da Série B, o time catarinense oscilou, mas mostrou evolução tática. Destaque para o volante Zé Antônio, que virou o cérebro do meio‑campo, e para o atacante Wesley, artilheiro da equipe na temporada. Ambos são peças‑chave para qualquer negociação futura – seja para vender por uma bolada, seja para segurar como ídolos.
Na minha visão de quem cobre o futebol catarinense há mais de 20 anos, o Figueirense hoje vive um daqueles momentos de encruzilhada. Ou aproveita a boa fase estrutural e a paixão da torcida para dar o salto de qualidade, ou vai continuar flertando com o meio da tabela. A Copa do Brasil chega em boa hora: se passar bem pela primeira fase, pode injetar cerca de R$ 2 milhões nos cofres do clube – grana que, bem aplicada, paga salários e renova o elenco para o segundo semestre.
Enquanto a bola não rola para o Furacão, o torcedor pode ir sentindo o cheiro de grama molhada no Orlando Scarpelli e aproveitar a estrutura do CAE para aquecer a garganta. Porque quando o apito final soar nos outros jogos desta quarta, a atenção se volta definitivamente para o próximo desafio alvinegro. E aí, meu amigo, prepare o coração.