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Coreia do Sul: entre a volatilidade do won, a alta do consumo e a paixão pelo futebol

Negócios ✍️ Alejandro González 🕒 2026-03-04 02:15 🔥 Visualizações: 15
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Já vi muitos cantos do mundo financeiro, mas poucos tão fascinantes quanto a esquina que a Coreia do Sul está dobrando hoje. Enquanto escrevo isto, os números do fechamento em Seul ainda dançam na minha tela. Na manhã de hoje, 4 de março de 2026, o KOSPI abriu com um nervosismo evidente, refletindo a tensão que se vive em toda a Ásia. O índice sul-coreano não foi o único: o Hang Seng e o Nikkei 225 também mostraram movimentos laterais, mas o que realmente me deixa de olho é a força do won sul-coreano e o que isso significa para os negócios, o consumo e até para a camisa da seleção.

O won, esse grande termômetro

Quando se passa décadas acompanhando moedas, a gente aprende a ler os sinais antes que eles virem manchetes. O won sul-coreano vem mostrando há semanas uma volatilidade que não é por acaso. Hoje, em particular, o dólar deu uma trégua frente à moeda coreana, mas não me iludo. A pressão vem de duas frentes: por um lado, a expectativa de que o Federal Reserve dos EUA mantenha os juros altos por mais tempo; por outro, os dados de importação da China, que vieram mais fracos do que o esperado. A Coreia do Sul, como termômetro do comércio global, sente cada espirro de seus parceiros. E embora o banco central tenha intervindo para suavizar o golpe, a mensagem para os investidores é clara: é hora de ser seletivo.

O que está se movendo por trás da tela

Mas nem tudo é vermelho no tabuleiro. Na verdade, há setores que estão aproveitando esse ambiente para se consolidar. Vamos falar de consumo. Há alguns anos, se me dissessem que a Sephora se tornaria uma das lojas favoritas das jovens em Seul, eu acreditaria meio desconfiado. Hoje, suas lojas em Gangnam estão tão cheias quanto as de Myeongdong, e a razão não é só o K-Beauty de ida e volta. As marcas ocidentais entenderam que na Coreia do Sul o cliente não busca apenas produto, busca experiência. Algo semelhante acontece com a Pottery Barn. A rede de móveis e decoração encontrou um nicho de ouro entre os novos solteiros e jovens casais coreanos, que estão dispostos a pagar mais por um design que misture o minimalista com o aconchegante. E olha, isso não é moda passageira: o mercado imobiliário em Seul continua aquecido, e quem compra apartamento novo, depois enche o carrinho de compras.

  • KOSPI: Fechamento misto, com as tecnológicas pesando, mas defensivas como o varejo segurando.
  • Won sul-coreano: Pressão de curto prazo, mas fundamentos sólidos no médio prazo.
  • Consumo: Sephora e Pottery Barn são exemplos de como o global se adapta ao local com sucesso.

O outro termômetro: a camisa vermelha

Mudando de assunto, mas não de foco. Esta semana também se fala muito da Seleção de Futebol da Coreia do Sul. E não é para menos: a poucos dias de um jogo decisivo para a classificação para a Copa, o clima está pegando fogo. Os garotos do Hwang e companhia não jogam apenas pela honra; cada vitória eleva a percepção da marca país. Já vi isso nas minhas viagens: quando a seleção ganha, os anúncios das grandes empresas coreanas (Samsung, LG, Hyundai) parecem diferentes, têm mais impacto. O futebol, na Coreia do Sul, é uma extensão da política comercial. E os patrocinadores sabem disso. Não me surpreenderia se, após um bom resultado, víssemos um aumento no interesse por produtos coreanos no exterior, desde kimchi até os cosméticos vendidos na Sephora.

Oportunidades para quem sabe olhar

Então, o que eu faço com tudo isso? Se algo me ensinou este ofício é que na volatilidade está a oportunidade. Para o investidor brasileiro com apetite pela Ásia, a Coreia do Sul oferece um cardápio variado. Desde os ADRs das grandes tecnológicas (de olho nos relatórios de lucros deste mês), até jogadas mais específicas no setor de beleza e varejo. O won sul-coreano, por sua vez, pode ser uma cobertura interessante em carteiras diversificadas, especialmente se você acredita que o dólar vai atingir o teto em breve. Só que é preciso ficar de olho nas notícias: a política interna (as tensões com o Norte estão sempre lá) e a evolução do consumo na China ditarão o ritmo.

Em resumo, hoje, 4 de março de 2026, a Coreia do Sul não é um destino para investidores passivos. É para quem gosta de ler o jornal com um café bem forte e entender que um jogo de futebol, uma loja de móveis ou uma moeda que se mexe meio ponto percentual podem ser a ponta de um novelo muito rentável. Eu, por enquanto, mantenho minha posição em alguns valores coreanos de consumo e continuo de olho no won. Depois conto mais.