Explosão em Nykvarn: Toda a vila se une – os lugares que nos conectam neste momento
É daquelas manhãs tranquilas de sábado em Nykvarn que deveriam ser só de arrumar o galpão de ferramentas e tomar um café da manhã demorado. Mas, em vez disso, estamos aqui com a xícara de café olhando para as barreiras policiais. Ontem à noite, por volta das 22h, houve uma explosão bem forte numa casa aqui na comunidade. Quem entende do assunto fala num estrondo enorme. Para a gente que mora aqui, isso não é só uma manchete – é a garagem do vizinho, é o caminho que a gente faz com o cachorro.
Na verdade, passei no ICA Supermarket Nykvarn hoje mais cedo. Sabe como é num sábado, todo mundo vai lá comprar a carne moída da semana e o bolo de aniversário. Mas o clima estava diferente agora. Ninguém ficava se acotovelando perto dos frescos, o pessoal parava um pouco mais. Um aceno de cabeça de quem entende, uma pergunta: “Você viu o que aconteceu?”. Os funcionários, que são sempre um ponto de encontro social, estavam por dentro da situação. O ICA é mais do que um supermercado aqui; é o lugar onde a gente sempre encontra alguém que conhece. E em tempos de apreensão, esse ponto de encontro do dia a dia se torna algo valioso demais. É lá que a gente ouve que todo mundo está bem, que ninguém se machucou fisicamente com a explosão, mesmo que, claro, o susto tenha ficado na pele de quem foi afetado.
A situação está controlada, mas ainda há tensão. Falei com alguns moradores perto do local. Eles descrevem uma onda de choque que balançou tudo com força, e depois o silêncio. E então vieram as sirenes. Nykvarn não é um lugar grande, estamos acostumados com a calma. Quando algo assim acontece, a gente sente de um jeito diferente do que na cidade. A perícia esteve no local durante a noite para levantar vestígios, e embora ninguém tenha sido preso ainda, depoimentos já foram colhidos.
O que me chama a atenção é como a gente procura segurança aqui rapidamente. Claro que se comenta sobre o que houve, mas ainda mais sobre onde vamos nos refugiar agora. Para muitos, a resposta foi a Igreja de Nykvarn (Nykvarnskyrkan). Logo de manhã já dava pra ver que o portão da igreja ficou aberto por mais tempo do que o normal. É pra lá que a gente vai quando precisa acender uma vela, ficar um tempo em silêncio ou simplesmente conversar com o diácono. A igreja é um daqueles pontos seguros no mapa que a gente talvez até tome como certo, mas que se torna essencial quando o dia seguinte parece incerto. A gente pode até brincar que Nykvarn é um “bairro dormitório de Estocolmo”, mas na crise todo mundo sabe onde fica o portão e qual porta está aberta.
E aí temos o Basta Nykvarn. Adivinha onde vai ser o ponto de encontro hoje à noite? Isso, lá. O Basta talvez não seja o primeiro lugar que vem à mente em momentos sérios, mas agora é exatamente o tipo de lugar que a gente precisa. É aqui que nos reunimos, tomamos uma cerveja, trocamos ideias sobre a situação e olhamos nos olhos uns dos outros. Os donos de lá sempre estiveram muito ligados à vila, e aposto que vai estar cheio de gente que só quer estar perto dos outros. Porque no fim das contas, é disso que se trata – não ficar sozinho com a apreensão.
A situação em Nykvarn agora é a seguinte:
- Trabalho da polícia: Perícia em andamento, busca de porta em porta já foi feita. Nenhum preso, mas a investigação está em uma fase intensa.
- Espírito comunitário: O ICA Supermarket Nykvarn e a Igreja de Nykvarn (Nykvarnskyrkan) funcionam como pontos de encontro informais e de apoio.
- Clima na vila: Calmo, mas com tensão no ar. Muitos estão indo ao Basta Nykvarn para conversar e ficar juntos.
Até há uma hora, viaturas ainda estavam no local mantendo o perímetro de isolamento. É um lembrete de que isso ainda não acabou, mas ao mesmo tempo, vejo como Nykvarn faz o que sempre fazemos: vamos ao ICA comprar leite, vamos à igreja se precisamos de paz, e nos encontramos no Basta para sermos uma vila unida. É assim que se atravessa um fim de semana desses. Juntos.